segunda-feira, 21 de março de 2011

Por que os gays são gays? (Reportagem da Super Interessante)


Batman ou Robin? 

Por que é que algumas pessoas se interessam por outras do mesmo sexo?

Por Eduardo Szklarz

Bar depois do expediente, cervejinha gelada, papo animado sobre colegas de trabalho. De repente, alguém faz a revelação bombástica: "Sabe o fulano? É gay!" Você provavelmente já participou de uma conversa como essa. Ela acontece todos os dias, nos melhores bares e também nas melhores famílias. Depois do silêncio, a mesa se divide entre os completamente surpresos e os que "sempre tiveram certeza, estava na cara que ele era". Até que alguém finalmente pergunta: "Mas por quê? O que levou fulano a ser diferente da maioria?" E começa a rodada de especulações: "A culpa é da mãe repressora." "Ele foi violentado pelo pai." "Não gostava de futebol." "É genético, desde pequeno tinha trejeitos afeminados." "Só é gay porque está na moda."

Pois as mesas de bar mais uma vez provam estar entre as entidades mais antenadas do planeta. O debate sobre a origem da orientação sexual é hoje um dos mais quentes da ciência - e também um daqueles em que os resultados parecem mais surpreendentes.

Historicamente, as respostas se dividiam entre os que defendiam que uma pessoa nasce gay e as que sustentavam que nos tornamos gays, bi ou heterossexuais dependendo do ambiente em que vivemos.
Mas, nos últimos anos, pesquisadores começaram a apontar novos - e surpreendentes - caminhos. As maiores novidades vêm dos estudos biológicos. Eles indicam que a formação da sexualidade acontece antes do nascimento - em parte pelos genes, mas também por fatores que atuam no desenvolvimento do feto. Não há nada comprovado e ainda falta muito a ser desvendado, especialmente sobre a influência do ambiente onde a criança é criada em sua sexualidade. Mas as evidências estão causando uma revolução no pensamento científico. E se comprovadas, poderão subverter noções básicas que construímos ao redor dos gays.

Que importa?
Muita gente acredita que a ciência deveria deixar essa polêmica de lado. O argumento é que gays existem e pronto - não há nada além disso para entender. Para elas, perguntar sobre o que leva uma pessoa a ser gay é uma atitude preconceituosa que supõe que a heterossexualidade não precisa de explicação. Cientistas, no entanto, defendem a necessidade de pesquisa, argumentando que elas podem acabar - ou pelo menos diminuir - preconceitos. "Os homossexuais são muitas vezes acusados de exibir um comportamento não natural. A única maneira de refutar essa acusação é pesquisar as causas das diferentes orientações sexuais", diz a bióloga transexual Joan Roughgard, professora da Universidade Stanford e autora do livro Evolution's Rainbow ("Arco-Íris da Evolução", sem tradução em português), em que analisa cerca de 300 casos de comportamento homossexual entre animais. Para o antropólogo Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia, as pesquisas são importantes porque desconstroem a noção religiosa milenar de que homossexualidade é um comportamento diabólico e patológico. "Se comprovarem que há uma raiz genética, estará claro que a homossexualidade está nos próprios desígnios do Criador", afirma.
Outro argumento pró-pesquisas diz que saber a origem do próprio comportamento aplaca um pouco a ansiedade. "Vemos a preocupação do homossexual em não ser discriminado, mas também a dos pais, que se sentem responsáveis e querem entender até que ponto esse sentimento procede", diz Carmita Abdo, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo e coordenadora do projeto Sexualidade, maior pesquisa já feita sobre os hábitos sexuais dos brasileiros.

As tentativas de explicar a origem da homossexualidade incluem teorias que vão da mitologia à sociologia. No século 19, psiquiatras concluíram que ser gay era um transtorno mental causado por equívocos na criação da criança - e essa idéia reinou na maior parte do século 20. Mas se essa teoria estivesse correta, então seria possível evitar e até reverter quadros homossexuais. Ao perceber o fracasso total das terapias de "cura", em 1973, a Associação Psiquiátrica Americana achou melhor retirar de sua lista de distúrbios mentais a atração sexual por pessoas do mesmo sexo. Foi quando o termo mudou de nome: homossexualismo deu lugar a homossexualidade - porque o sufixo "ismo" denota doença. A essa altura, os cientistas já consideravam ser gay uma variação absolutamente natural do comportamento humano.

Até que em 1991 o neurocientista anglo-americano Simon LeVay, gay declarado, anunciou ter encontrado diferenças em cérebros de homens gays e héteros. LeVay examinou o hipotálamo, zona-chave da sexualidade no cérebro, e descobriu que a região chamada INAH-3 era entre 2 e 3 vezes menor nos gays. Era a primeira indicação da origem biológica da homossexualidade. Mas, como várias pesquisas da área, a de LeVay tinha limitações: os gays do estudo haviam morrido em decorrência da aids e talvez a doença fosse responsável pela diferença. E, mesmo que essa diferença não estivesse relacionada com a aids, era impossível determinar se ela era causa ou conseqüência da experiência gay. Apesar das dúvidas, a descoberta abriu caminho para estudos que reforçam a suspeita de que a homossexualidade vem do útero. "Minhas pesquisas sugerem que algo acontece muito cedo na vida dessas pessoas, provavelmente na vida pré-natal", diz LeVay.

Mas o quê? Parte da resposta veio em 1993 com as pesquisas de Dean Hamer, do Instituto Nacional do Câncer, nos EUA. Hamer percebeu que dentro das famílias havia muito mais gays do lado materno. A descoberta atraiu sua atenção para o cromossomo X (mulheres têm dois cromossomos X, enquanto os homens têm um X e um Y). Em seguida, a descoberta: usando um escâner, Hamer viu que uma região do cromossomo X, a Xq28, era idêntica em muitos irmãos gays. O que ele descobriu não foi propriamente um único gene gay, mas uma tira de DNA transmitida por inteiro. A notícia provocou rebuliço, e não era para menos. Mesmo contestada por outros estudos, a conexão entre genes e orientação sexual sugere que as pessoas não escolhem ser homossexuais, mas nascem assim. A comunidade gay começou a ver na ciência a resposta contra a idéia de que seu comportamento era "antinatural".

Resposta genética?
Patrick e Thomas são gêmeos, têm 7 anos, olhos azuis e cabelo ondulado. Cresceram na mesma casa, criados pelos mesmos pais. À primeira vista, é impossível distingui-los. Mas passe algum tempo com eles e você verá que Patrick é sociável, atento e pensativo, enquanto Thomas é espontâneo e adora brincar de luta. Quando tinham 2 anos, Patrick encontrou os sapatos da mãe e gostou de calçá-los. Aos 3, Thomas disse que o revólver de plástico era seu brinquedo favorito. Aos 5, Thomas se fantasiou de monstro no Halloween; Patrick quis se vestir de princesa. Ridicularizado pelas risadas do irmão, decidiu ser Batman. Patrick sempre brincou entre meninas, nunca meninos. Os pais deixaram que ele fosse ele mesmo em casa, mas mantiveram alguns limites em público com medo de que seu comportamento feminino o expusesse. Funcionou até o ano passado, quando o orientador da escola ligou dizendo que ele deixara os colegas incomodados: insistia que era uma menina.
A história de Patrick e Thomas foi revelada pelo jornal Boston Globe. Como os demais gêmeos univitelinos (gerados pelo mesmo óvulo), os garotos são clones genéticos. Se a homossexualidade fosse mesmo causada por um cromossomo, os dois deveriam ter a mesma orientação sexual. Segundo estudos recentes, como o do psiquiatra americano Richard Green, garotos como Patrick têm até 75% de possibilidade de ser homossexuais quando adultos. Thomas aparenta ser heterossexual.
O caso de gêmeos com orientação sexual diferente mostra que, sozinha, a genética não explica a homossexualidade. Mas isso não significa que a criação tem todas as respostas. Afinal, antes mesmo de falar, Patrick já exibia traços femininos. Há mais dicas nessa charada: os pesquisadores americanos Michael Bailey, da Universidade Northwestern, e Richard Pillard, da Universidade de Boston, analisaram gêmeos e viram que, entre bivitelinos, se um deles é gay, o outro tem 22% de possibilidade de também ser. Para os univitelinos, a probabilidade sobe para 52%.
São números bastante superiores à taxa de homossexualidade entre a população, que seria de 10% de acordo com o famoso e polêmico Relatório Kinsey, dos anos 40, e entre 2% e 5% segundo pesquisas mais recentes. Bailey e Pillard, portanto, praticamente provam a existência de um componente genético para a homossexualidade. Ao mesmo tempo, praticamente provam, também, que os genes não dão conta de tudo. "Os estudos com gêmeos feitos até agora nos permitem uma estimativa de que até 40% da orientação sexual venha dos genes", diz o pesquisador Alan Sanders, da Universidade Northwestern, EUA. Para aprofundar suas pesquisas, Sanders está recrutando voluntários, inclusive brasileiros, para o maior estudo genético sobre homossexualidade já realizado. "A meta é selecionar
1 000 pares de irmãos gays bivitelinos", afirma. "Em irmãos assim, espera-se uma variação genética de 50%. Vamos analisar todo o genoma para saber se a variação é maior."

O que mais está em jogo?
Se os genes não explicam tudo, que outros elementos explicariam? Um deles parece ser o desenvolvimento biológico do feto ainda no útero. E é dessa área que vêm saindo as pesquisas mais promissoras. Uma delas é a teoria dos hormônios pré-natais. A idéia é que os hormônios sexuais masculinos (andrógenos) se conectam às partes responsáveis pelos desejos sexuais no cérebro e influenciam seu crescimento, tornando o cérebro mais tipicamente masculino ou feminino. A conexão dependeria das proteínas receptoras de andrógenos (AR, na sigla em inglês). Imagine que cada célula do cérebro seja uma casa. As ARs funcionariam como o portão dessas casas, que controla a entrada de pessoas. Sabe-se que a quantidade e a localização desses portões são diferente nos homens e nas mulheres. Cientistas já constataram, por exemplo, que o hipotálamo masculino tem mais ARs que o feminino.
Essa teoria supõe que a homossexualidade nos homens é causada por "portões" que restringem a entrada de andrógenos nas regiões responsáveis pela sexualidade, formando um cérebro submasculinizado. Nas mulheres, esses portões facilitariam entradas maiores, construindo uma estrutura supermasculinizada. Tudo conseqüência do número de ARs de cada feto - o que talvez se deva à carga genética.
Os cientistas advertem que esse processo é complexo. Em todo caso, as pistas da ação dos hormônios pré-natais estão por todo lado. Por exemplo, na nossa mão. Homens geralmente têm o dedo indicador um pouco menor que o anular, enquanto nas mulheres o comprimento costuma ser igual. Richard Lippa, da Universidade Estadual da Califórnia, notou que essa diferença no tamanho dos dedos tende a ser maior nos gays que nos héteros. Em outra pesquisa, Dennis McFadden, da Universidade do Texas, observou que lésbicas são menos sensíveis que as outras mulheres a sons baixos.
Mas é preciso cautela: correlações entre interesse sexual e traços físicos estão longe de ser provadas. Também vale lembrar que os hormônios importantes não são os que circulam no nosso sangue quando adultos - cujos níveis são iguais em homossexuais e héteros - mas os que atuaram no período de gestação.
O novo desafio dos pesquisadores é entender quais as origens de um fenômeno recém-descoberto: a existência de irmãos mais velhos parece afetar a sexualidade dos mais novos. É o chamado "efeito big brother". O cientista canadense Ray Blanchard acompanhou 7 mil pessoas e viu que a maioria dos gays nasce depois de irmãos homens e heterossexuais. Blanchard e o colega Anthony Bogaert calcularam que cada irmão mais velho aumenta em 33% a possibilidade de o menor ser gay. Um garoto com 3 irmãos mais velhos tem o dobro de possibilidade de ser gay que outro sem irmão mais velho. Um garoto com 4 irmãos mais velhos tem o triplo. Ter irmãs mais velhas não altera a probabilidade de o menino ser gay.
Para alguns, a explicação está na convivência familiar: depois de dar à luz vários homens, a mãe trataria o caçula como a menina que ela não teve. Os irmãos mais velhos também tenderiam a "dominar" o mais novo, influindo em seus sentimentos sobre si e os demais. Outra hipótese vem da biologia. "Os fetos masculinos talvez acionem uma reação imunológica na mãe ao produzirem substâncias que ameaçam seu equilíbrio hormonal", diz o cientista Qazi Rahman, da Universidade de East London. Segundo ele, o corpo da mãe acionaria um alarme para produção de anticorpos contra proteínas ou hormônios do bebê. Cada novo feto masculino intensifica a resposta, e o acúmulo de anticorpos redirecionaria a diferenciação tipicamente masculina para uma mais feminina, gerando orientação homossexual nos filhos seguintes.
Como os outros pesquisadores, Rahman não nega que fatores ambientais possam entrar na equação. O problema é que ninguém sabe exatamente quais são eles. Não há provas, por exemplo, de que o abuso sexual na infância causa homossexualidade. O número de gays não é maior em lares chefiados por mulheres nem entre filhos criados por casais gays. Tampouco há mais casos de homossexualidade após períodos de guerra, quando os pais se ausentam de casa, o que enfraquece as hipóteses sobre dinâmicas familiares. Nem mesmo a teoria de Sigmund Freud encontra sustentação científica. O pai da psicanálise dizia que mães superprotetoras e pais ausentes poderiam levar o filho a ser gay. Mas ao invés de encontrar a causa, Freud possivelmente enxergou a conseqüência: a superproteção da mãe não seria a origem da homossexualidade, mas um ato de defesa para um filho que é rejeitado pelo pai por se comportar, desde cedo, de maneira feminina. Antes que você deixe de lado as explicações psicológicas, é bom ler o que vem a seguir.

Do exótico ao erótico
"Fatores biológicos (como genes e hormônios) são certamente responsáveis por mais de 50% da orientação sexual", diz Dean Hamer. Ou seja: até mesmo o pai do "gene gay" admite que há espaço para fatores psicológicos. É justamente por apostar na interação entre biologia e ambiente que a teoria "exótico se torna erótico" vem chamando a atenção dos estudiosos. Seu autor, o psicólogo Daryl Bem, da Universidade Cornell, no estado de Nova York, afirma que os indivíduos são atraídos por outros de quem se sentiram diferentes na infância. Daryl diz que fatores biológicos atuam na formação da sexualidade ao agir sobre o temperamento da criança, predispondo-a a realizar certas atividades mais do que outras.
Assim, um menino que gostar de luta, futebol e esportes competitivos tipicamente masculinos conviverá num grupo com o mesmo perfil. Outro garoto que preferir bonecas e socialização mais calma, tipicamente feminina, encontrará colegas que também preferem a Barbie. Para esse garoto que convive entre amiguinhas e brinca com bonecas, a figura exótica que despertará sua atenção sexual será um menino. No caso de meninas homossexuais, se inverteriam os papéis. "Isso ocorre porque nossa sociedade polariza as diferenças de gênero. Se não as polarizasse tanto, mais homens e mulheres escolheriam parceiros com base em outros atributos além do sexo biológico", diz Daryl.
Isso significa que, apesar de a ciência estar caminhando para a noção de que a homossexualidade é inata, a biologia não é completamente determinante. "Essa predisposição para a homossexualidade vai se manifestar ou não dependendo das experiências de vida da pessoa", diz a psiquiatra Carmita Abdo. Tudo indica que a homossexualidade é mesmo o resultado da interação de 3 fatores: biológicos, psicológicos e sociais, mesmo que esses dois últimos ainda precisem de mais evidências. Enquanto elas não aparecem, é melhor você ser menos taxativo nas suas conversas de mesa de bar.

Terapia para gays?
Robert Spitzer é o psiquiatra que encorajou a Associação Psiquiátrica Americana a retirar a homossexualidade da lista de transtornos mentais. Graças a ele, não se pode dizer hoje que ser gay é doença. Por isso, Spitzer causou espanto ao afirmar, em 2001, que sessões de terapia podem mudar a orientação sexual de um gay. Ele chegou a essa conclusão ao entrevistar pessoas que diziam ter deixado a homossexualidade após o tratamento. "A medicina não trata apenas das doenças", diz.
A Super conversou com Ben Newman, diretor de um site que oferece apoio não religioso a pessoas que querem mudar de orientação sexual. "Com um terapeuta que entendia o que eu passava e respeitava meus valores descobri que não tinha desejo por sexo, mas uma necessidade de amizade e identidade masculinas", diz Newman. Mas é preciso extrema cautela nesse assunto. Muitos psicólogos dizem que a pesquisa de Spitzer tem problemas metodológicos. "Terapias de conversão não funcionam e só causam mais sofrimento", diz a psicóloga Adriana Nunan, da PUC-RJ. O Conselho Regional de Psicologia desaconselha tratar a homossexualidade. "O que se trata é o desconforto de ter essa condição", diz a psiquiatra Carmita Abdo.

O gene gay e a evolução
O desafio dos que apóiam uma base genética para a orientação sexual é explicar a permanência e adaptação dos genes gays ao longo da evolução. "Ser atraído pelo sexo oposto é útil porque leva o indivíduo a gerar filhos - por isso os genes da heterossexualidade dominam o planeta. Mas como os genes da homossexualidade também parecem existir, é provável que sirvam ou tenham servido a algum valor reprodutivo ao longo da evolução", diz o cientista inglês Qazi Rahman. Talvez os animais possam dar a resposta. O biólogo americano Bruce Bagemihl analisou 450 espécies e constatou que elas não fazem sexo só para produzir filhotes. Mais de 70 tipos de aves e 30 de mamíferos "casam-se" com indivíduos do mesmo sexo. Muitas vezes, para ter prazer.
Para a bióloga Joan Roughgarden, a homossexualidade é um traço natural que mantém indivíduos unidos através do contato. Para ela, não há diferença entre jogadores de futebol que se tocam para funcionar melhor como equipe e duas pessoas que se acariciam intimamente. "Estamos muito preocupados com o contato genital, mas tudo não passa de intimidade física", diz.

Equívoco no divã
Não é que Freud errou ao dizer que gays eram filhos de mães superprotetoras. Mas o pai da psicanálise pode ter enxergado a conseqüência ao invés da causa.

Brincando de barbie
Muitos meninos se interessam cedo por roupas, brinquedos e atitudes femininas. Quando eles crescerem, garotos vão representar um mundo misterioso, cheio de novidades. E, segundo uma nova teoria, extremamente sexy.
Para saber mais

Born Gay
Glenn Wilson e Qazi Rahman, Peter Owen, Londres, 2005

Archives of Sexual Behaviour (Arquivos de comportamento sexual)
www.gaybros.com
Site da pesquisa genética que vai contar com 1 000 pares de irmãos gays e busca participantes do Brasil.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Famosos Ex Heteros: Tonéx




Anthony Charles Williams II (nascido em 16 maio de 1975, em San Diego, Califórnia), mais conhecido pelo seu nome artístico Tonéx é um cantor, compositor, multi-instrumentista, rapper, dançarino, produtor e pregador.
Ele tem Vários apelidos dentre eles T.Bizzy, The Black Maverick, T'Boy, O'ryn, Pastor N8ion, ACW2, Brian Slade, B. Slade mas ele é mais conhecido como Tonéx ou Ton3x. Tonex lançou centenas de canções em 24 álbuns ao longo de um período de 15 anos em atividade. Ele ganhou seis prêmios Stellar, um prêmio GMA, e recebeu duas indicações ao Grammy: o de Melhor Álbum de Soul Gospel para o seu álbum de 2004, Out The Box e outra em 2009 Best Urban / Alternative Performance Soul com seu single, Blend, a partir de sua maestria no álbum, Unspoken. Ele é conhecido por gravações de hits Gospel, mas seu gênero musical é conhecido por misturar estilos como, R&b, pop, jazz, soul, funk, hip hop, rock, latim, electro, punk e trance, dentre outros. Suas principais influências incluem Prince, Michael Jackson, Shirley Caesar, e Janet Jackson. Seu som e um estilo eclético da música o levou a dar a sua música seu próprio gênero, chamando-lhe "Nureau".


Em julho de 2004, seu pai faleceu, obrigando-o a assumir a responsabilidade de se tornar pastor da igreja de sua família em seu lugar.  Ele também se divorciou de sua esposa após cinco anos de casamento, Yvette Williams (née Graham). Além disso, a Verity Records processou Tonéx em um milhão de dólares alegando quebra de contrato. Posteriormente, Tonéx anunciou que iria retirar-se da indústria da música Gospel, frustrados pela política e maus tratos. Após o anúncio, Kirk Franklin postou em seu blog pessoal simpatizar com o artista e sentir "o peso de uma indústria que só é feita para ganhar dinheiro e não curar almas perdidas."


Em março de 2007, uma reconciliação com a Zomba Label Group foi anunciada. O acordo foi firmado sob a égide do novo presidente da Zomba, Jazzy Jordão (que já orientou a carreira de R. Kelly e Salt-N-Pepa). Com um novo contrato de gravação com o seu selo, ele estava se preparando para lançar um disco duplo intitulado Stereotype:  Velvet & Steel, que estava programado para ser lançado em 11 de setembro de 2007, e que supostamente deveria fazer em sua carreira o que Thriller fez na de Michael Jackson e Purple Rain na de Prince. 
No entanto, em junho de 2007, outro rompimento com Zomba foi anunciado, devido à sua "fuga de estilo" com a canção "The Naked Truth" carregada de palavrões, juntamente com vários blogs e videos repercutindo o tema. Tonex enfrentou o exame minucioso tanto dentro da arena evangélica conservadora para a sua nova linguagem explícita e o tom irritado da música e os blogs e videos que se seguiram. A análise levou a adotar um novo apelido "Black Maverick", e também ao fechamento de sua página no MySpace por vários meses antes do desgaste no site em janeiro de 2008.


Mas foi em 2010 que Tonex teve de enfrentar seu maior desafio, sair do armário e assumir sua homossexualidade.

"Essa é a diferença por excelência, é a primeira luta sobre isso, mesmo depois de saber que essa é a de menor importância sobre quem você é. Essa é realmente uma parte tecnicamente privada, mas porque vivemos em uma sociedade reprimida, particularmente na igreja Afro americana esse tipo de temas parecem não vir à tona ", disse Tonex.


Tonex diz que se sentiu isolado e sozinho em relação aos seus parentes. 


"Eu me senti discriminado. Eu senti como se estivesse nos anos 60 ou algo assim. Eu não podia beber água do bebedouro branco. Eu sou o mesmo cara e eles são as mesmas pessoas"


A reação não foi apenas enfrentar as críticas dentro da comunidade cristã e evangélica, sua agenda lotada de repente parou.



"Bem recentemente eu estava confirmado para se apresentar no Sunday's Best Season-Three e no dia do evento, recebo uma ligação deles misteriosamente desmarcando, já não precisam dos meus serviços depois que tudo já tinha sido aprovado. Então, que deixe-me saber que não é que eu vou parar de cantar gospel, mas que eu vou apresentar o evangelho em meus próprios termos ", disse Tonex.

Apesar da controvérsia, a história de Tonex tornou-se uma inspiração. Ao sair do armário Tonéx define o tom para que outras pessoas sigam o seu exemplo. 



"Me da a esperança que eu ainda posso ser bem sucedido, você sabe, dentro do conjunto da sociedade e ainda posso ser quem eu sou, Keisha Brown , pastor de uma igreja."

Estes dias, quando não está cantando para seus fãs como Tonex, o Pastor Williams viaja por todo o país pregando uma mensagem de aceitação. Agora, sua audiência é uma congregação e seu estádio um púlpito.





*Ex Hetero: São homossexuais ou Bissexuais que em algum momento de suas vidas tiveram que se comportar como heteros por causa da religião, mas depois voltaram atrás e reconheceram e se assumiram como realmente são. O termo surgiu de forma irônica para satirizar o termo "ex gay", se existe ex gay, tb existem ex heteros, certo?

quarta-feira, 16 de março de 2011

Filme Prom Queen



Baseado em fatos reais. Aaron Ashmore interpreta Marc Hall, um adolescente canadense, popular no colégio católico onde estuda e que conseguiu evitar as típicas perseguições aos homossexuais nas escolas. Entretanto, Marc levará a direção do colégio aos tribunais sob a acusação de discriminação, homofobia e desrespeito aos Direitos Civis dos homossexuais. O caso vira o foco da mídia canadense e Marc Hall percebe que não está lutando apenas pelo direito de levar seu namorado à formatura, e sim, pelos direitos civis de todos os homossexuais.

O Filme conta a trajetória de um jovem em busca de aceitação pela igreja católica e mostra o quão cruel pode ser o enfretamento contra a igreja.
Tamanho: 373,36mb
Gênero: Drama
Legenda: Português
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terça-feira, 15 de março de 2011

Reversão Sexual faz nova vítima.

Rapaz depressivo comete suicídio em Delmiro Gouveia
(05/03/2011 13:38)





O jovem Williams da Silva Barbosa, de 18 anos, cometeu suicídio, na noite de ontem (4). Segundo familiares ele estava depressivo. Para cometer o suicídio, Williams usou um lençol e pulou de cima da sua cama, o jovem residia na Rua "E", no bairro Eldorado.

Familiares e amigos ficaram surpresos e, ainda em estado de choque, revelaram o suposto motivo que teria forçado a vítima cometer o suicídio seria discriminação sexual, pois o mesmo era homossexual e estava tentando viver uma vida normal.

Williams freqüentava uma igreja evangélica e estava acreditando que sua vida iria mudar. Ainda segundo familiares, ao saber da sua opção sexual o pastor de nome não revelado por sua família não aprovou sua permanência na igreja.

Williams tentou falar por três vezes com o pastor de sua igreja mais não foi atendido pelo mesmo, "talvez seja esse o motivo de sua depressão" frisou Luizinha tia da vítima.

O corpo do jovem foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Arapiraca, onde será submetido à necropsia e posteriormente será liberado para sepultamento.

COMENTÁRIO DO SERGIO:

"...o mesmo era homossexual e estava tentando viver uma vida normal."

"Williams frequentava uma igreja evangélica e estava acreditando que sua vida iria mudar."

E ainda tem uns idiotas que acham que esse tipo de "PREGAÇÃO" seja uma forma de terapia, defendendo o SUPOSTO direito de colocar à disposição das pessoas (muitas vezes ignorantes sobre o risco que correm) esse tipo de "tratamento". Para começar, não existe motivo para terapia na homossexualidade em si. Terapia pode ser necessária para se livrar do "jugo" da discriminação e do preconceito internalizado que a sociedade (a igreja, principalmente) perpetuam.
A lamentável morte desse jovem não será chorada por aqueles que desprezam os homossexuais. Eles não assumirão sua parcela de culpa. Dirão apenas que esse é o fim dos pecadores sem arrependimento. Que o diabo veio para matar, roubar e destruir (soa parecido com a igreja?). 
 Mas, não estava esse jovem supostamente fazendo o que esses pregadores da morte aconselham?


ESPECIAL BORN THIS WAY

"Criança oprimida, exalte sua verdade
Na religião da insegurança
Devo ser eu mesmo, respeitar minha juventude
Um amor diferente não é um pecado
Acredite N-E-L-E
Eu sou lindo à minha maneira
Pois Deus não comete erros
Estou no caminho certo,
Eu Nasci assim."




Hoje a nossa Dica Musical é mais do que especial, lançado no mês passado, o novo single da cantora Lady Gaga foi chamado de "o novo hino gay" por Elton John. Born This Way é uma música importante sobretudo para militância gay religiosa por que reafirma o que todo fundamentalista religioso adora refutar, o fato de sermos o que somos desde pequenos. A letra bate de frente com a religião e nas entrelinha a desmente dizendo: "você não está errado ou em pecado como seu padre/pastor te disse, você nasceu assim."
E enquanto a comunidade científica ainda não prova por A mais B essas teorias, um blog na internet lançado no inicio do ano vem fazendo muito sucesso.

Com mais de 2 milhões de acessos e com o titulo homônimo ao single da Lady Gaga o blog Born This Way recebe diariamente depoimentos reais de seus próprios leitores que contam através de fotos de sua infância como se descobriram homossexuais desde cedo.


A minha história não foi muito diferente destas que estão no blog citado, não vou por foto aqui e nem enviar pra lá, mas eu posso dizer que lembro da primeira vez que tive uma ereção. Eu tinha por volta dos 7 anos de idade, estava na segunda série do então ensino fundamental e já sentia uma certa admiração pelos meninos. No entanto não fazia idéia do que seria aquela atração. Uma vez durante o recreio brincando de pic esconde eu e mais um grupo de colegas fomos nos esconder atrás de uma casinha que tinha no parquinho da escola e que ficava encostada na parede, de forma que fazia um vão onde podíamos nos esconder. Enquanto não nos achavam, meu colega Rafael (lembro o nome dele até hoje) simulou estar fazendo sexo com a casinha, se esfregando na parede. Eu nem sabia o que era sexo, mas fiquei excitado pela primeira vez ao ver a cena, foi quando sai correndo pra sala de aula sentei e coloquei a mochila no colo pra esconder, morrendo de vergonha. Não tenho certeza se fiquei com tesão pela situação ou se o fato de eu já admira-lo contribuiu para isso. A partir de então minha admiração por meninos só foi aumentando, sempre quando via alguma revista de lingerie não eram as garotas de calcinha e sutiã que me chamavam atenção e muito menos quando eu ia a praia, mais sim os rapazes de sunga. Não fui abusado por ninguém, não senti que minha mãe me superprotegeu na infância e muito menos que meu pai tenha sido ausente. Nenhuma dessas causas diagnosticadas geralmente por religiosos para justificar a homossexualidade de alguém se encaixam na minha situação e por isso eu acredito que I was born this way.

Para embasar tudo isso, essa semana pipocou na net um vídeo de um menininho travestido fazendo uma performance na frente da câmera. Não que todo gay seja afeminado desde a infância, na verdade os gays não afeminados muitas das vezes brincaram de carrinho (como meu caso) e não de boneca na infância. Mas através dos afeminados podemos perceber o quanto precoce aparece a identidade sexual de cada homo/bissexual, mesmo que nem sempre isso seja tão perceptível, como no caso dos "discretos".



Abaixo segue a música com a letra original e traduzida.



Born This Way                  

 

It doesn't matter if you love him, or capital H-I-M
Just put your paws up
'Cause you were born this way, baby

My mama told me when I was young
We are all born superstars
She rolled my hair and put my lipstick on
In the glass of her boudoir

"There's nothing wrong with lovin' who you are"
She said, "'Cause he made you perfect, babe"
"So hold your head up girl and you'll go far,
Listen to me when I say"

I'm beautiful in my way
'Cause God makes no mistakes
I'm on the right track baby
I was born this way

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby
I was born this way

Ooo there ain't no other way
Baby I was born this way
Baby I was born this way

Ooo there ain’t no other way
Baby I was born this way
I'm on the right track baby
I was born this way

Don't be a drag – just be a queen
Don't be a drag – just be a queen
Don't be a drag – just be a queen
Don't be!

Give yourself prudence
And love your friends
Subway kid, rejoice your truth

In the religion of the insecure
I must be myself, respect my youth

A different lover is not a sin
Believe capital H-I-M (hey hey hey)
I love my life I love this record and
Mi amore vole fe yah (love needs faith)

I'm beautiful in my way
'Cause God makes no mistakes
I'm on the right track baby
I was born this way

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby
I was born this way

Ooo there ain't no other way
Baby I was born this way
Baby I was born this way

Ooo there ain’t no other way
Baby I was born this way
I'm on the right track baby
I was born this way

Don't be a drag, just be a queen
Whether you're broke or evergreen
You're black, white, beige, chola descent
You're lebanese, you're orient

Whether life's disabilities
Left you outcast, bullied, or teased
Rejoice and love yourself today
'Cause baby you were born this way

No matter gay, straight, or bi
Lesbian, transgendered life
I'm on the right track baby
I was born to survive

No matter black, white or beige
Chola or orient made
I'm on the right track baby
I was born to be brave

I'm beautiful in my way
'Cause God makes no mistakes
I'm on the right track baby
I was born this way

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby
I was born this way

Ooo there ain’t no other way
Baby I was born this way
Baby I was born this way

Ooo there ain’t no other way
Baby I was born this way
I'm on the right track baby
I was born this way

I was born this way hey!
I was born this way hey!
I'm on the right track baby
I was born this way hey!

I was born this way hey!
I was born this way hey!
I'm on the right track baby
I was born this way hey!

Nasci Assim


Não importa se você o ama, ou O ama

Apenas levante as mãos

Pois você nasceu assim, baby



Minha mãe me dizia, quando eu era jovem

Que nós nascemos como super estrelas

Ela arrumava meu cabelo e me passava batom

No espelho de seu vestiário



"Não há nada de errado em amar quem você é"

Ela dizia, "Pois ele te fez perfeita, querida"

"Então erga sua cabeça garota e você irá longe,

Ouça-me quando eu digo"



Eu sou linda à minha maneira

Pois Deus não comete erros

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Não se cubra de arrependimentos

Apenas ame-se e você estará bem

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Ooo, não há outro jeito

Baby, eu nasci assim

Baby, eu nasci assim



Ooo, não há nada que eu possa fazer

Baby, eu nasci assim

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Não seja uma drag, seja simplesmente uma rainha

Não seja uma drag, seja simplesmente uma rainha

Não seja uma drag, seja simplesmente uma rainha

Não seja!



Seja prudente

E ame seus amigos

Criança oprimida, exalte sua verdade



Na religião da insegurança

Devo ser eu mesma, respeitar minha juventude



Um amor diferente não é um pecado

Acredite N-E-L-E (hey hey hey)

Eu amo minha vida e amo esse álbum e

Meu amor precisa de fé (amor precisa de fé)



Eu sou linda à minha maneira

Pois Deus não comete erros

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Não se cubra de arrependimentos

Apenas ame-se e você estará bem

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Ooo, não há outro jeito

Baby, eu nasci assim

Baby, eu nasci assim



Ooo, não há nada que eu possa fazer

Baby, eu nasci assim

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Não resista, seja simplesmente uma rainha

Sendo rico ou pobre

Sendo preto, branco, pardo ou albino

Sendo libanês ou oriental



Se a vida trouxe dificuldades

Te deixaram afastado, assediado ou importunado

Exalte e ame-se hoje

Pois você nasceu assim, baby



Não importa se você é gay, hétero ou bi

Lésbica ou transexual

Estou no caminho certo

Nasci para sobreviver



Não importa se é preto, branco ou pardo

Albino ou oriental

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci para ser corajoso



Eu sou linda à minha maneira

Pois Deus não comete erros

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Não se cubra de arrependimentos

Apenas ame-se e você estará bem

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Ooo, não há outro jeito

Baby, eu nasci assim

Baby, eu nasci assim



Ooo, não há nada que eu possa fazer

Baby, eu nasci assim

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Nasci assim, hey!

Nasci assim, hey!

Estou no caminho certo, baby

Nasci assim, hey!



Nasci assim, hey!

Nasci assim, hey!

Estou no caminho certo, baby

Nasci assim, hey!

terça-feira, 8 de março de 2011

Mitos Religiosos Sobre a Sexualidade: O Uso Natural.

Sexo anal hetero no casamento: Natural. 
Sexo anal hetero fora do casamento ou homo: Antinatural.




Eu fui evangélico por 20 anos, e nessa trajetória toda, desde a infância participei de alguns cultos e encontros para casais. Apesar de ser pré adolescente e não poder participar, as vezes meus pais tinham que me levar e eu acabava assistindo sentado lá atrás, pois nem sempre gostava de ir pra "salinha". 
Em vários destes encontros prestei atenção nas pregações e em muitas delas eram abertas para a platéia fazer perguntas a terapeutas sexuais cristãos e pastores de casais.
Por algumas vezes ouvi falar sobre o sexo anal entra o casal e dentro do casamento, sempre surgia a questão de ser pecado ou não.
Como eu sempre freqüentei igrejas neo pentecostais mais liberais a resposta era sempre a mesma. O sexo anal é permitido dentro do casamento hetero se a esposa consentir e isso não é pecado.
Para embasar tal argumento é usado o texto de 1° coríntios 7:3-5 : 

"O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher.
Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência"


Esse ponto de vista é defendido por pastores como Silas Malafaia, como pode ser visto nessa pregação dele:



É comum ouvir o argumento de pastores menos cultos, esses que abrem igreja como são abertos botequins na esquina das periferias, afirmando que o antinatural é o sexo anal, pois o ânus foi feito para A e não para B.
Mas para os pastores mais cultos, neo pentecostais, o antinatural é apenas a relação entre os mesmos sexos e isso não tem conotação nenhum com a intimidade sexual seja ela qual for, anal, oral ou vaginal.
O que é meio contraditório chamar de antinatural uma relação anal pelo simples fato dela ser feita por iguais e de natural se ela for feita entre heterossexuais casados.
Natural dentro da doutrina religiosa, principalmente a católica, seria manter as funções "normais" para qual cada órgão do corpo humano foi "criado por deus" para exercer.
No entanto do ponto de vista científico não é possível afirmar que algo foi definido naturalmente para isso ou para aquilo.
Esse pensamento vai contra uma das principais teorias científicas, a Teoria da Evolução (que inclusive já foi reconhecida pela igreja católica).

Segundo esta teoria, o natural é definido pela adaptação das espécies ao meio em que vivem para sua sobrevivência, portanto o que hoje "é natural" pode deixar de ser, e é isso que faz uma uma espécie evoluir, perder suas características naturais e se adaptar as novas condições. Por exemplo, alguns peixes que naturalmente possuíam nadadeiras, começaram a evoluir e adquirir patas e isso foi responsável pela migração da vida marinha para o continente e que culminou com o surgimento dos mamíferos. Portanto afirmar que os pés foram feitos SOMENTE para andar não tem nenhuma consistência científica uma vez que essa função pode ser mudada com o tempo. Ou seja, para a natureza, não existe um padrão que defina que um órgão foi feito exclusivamente para determinada função.
Partindo do ponto de vista que alguns teólogos já começam a tentar conciliar evolucionismo e criacionismo poderíamos então começar a parar de levantar as bandeira do anti natural.
O texto bíblico que condena a homossexualidade como algo anti natural foi escrito em um contexto histórico cultural em que o sexo não era permitido, religiosamente falando, como objeto de prazer (principalmente para as mulheres) mas somente de procriação.
Ou seja, como 2 homens ou 2 mulheres não podem naturalmente (não existia fertilização em vitro na época, sic) gerar filhos então a homossexualidade foi condenada.
Hoje estamos em um outro contexto histórico cultural onde o sexo já deixou de ser SOMENTE para procriação e onde, principalmente a mulher, já tem adquirido sua liberdade sexual.
A igreja ainda tenta manter esse conceito de pé, mas isso só funciona na teoria. Mesmo quem é católico, onde a pilula e a camisinha não são permitidos, não seguem essa doutrina a risca. E a grande maioria das noivas evangélicas/católicas não casam mais virgens, apesar de fingirem, tanto elas quanto seus pais e pastores/padres que ainda são.
Eu algum momento não muito distante a igreja precisará deixar de fingir que não vê essas atitudes e precisará reconhecer essas mudanças oficialmente. A partir desse momento, um novo diálogo também sobre as relações homossexuais deverá ser aberto e os conceitos que a impede ( incluindo a relação sexual para procriação ) não existirá mais.

sábado, 5 de março de 2011

Testemunho: David Christie

Apartir de hoje vou postar as versões traduzidas dos testemunhos do site Beyond Ex Gay  (Que na tradução literal seria algo como: "Além das terapias ex gay"). Um blog americano que como o nosso refuta os tratamentos religiosos de reversão sexual. Hoje começaremos com o Christie que sobreviveu aos "tratamentos" da Exodus Internacional.

David Christie


 

Imagem de David ChristieMeu nome é David Christie, e eu sou um sobrevivente de terapias para ex-gays. Ainda na minha adolescência, eu comecei a procurar ajuda para o que eu tinha sido levado a acreditar que era uma condição anormal e pecaminosa. Dos 15 aos 28 anos, ou seja, durante 13 anos, eu estive quase sempre envolvido em alguma forma de aconselhamento ou terapia destinados a frustrar a minha orientação homossexual. Nunca aceitando que uma identidade homossexual era uma opção, e acreditando que eu acabaria por ser capaz de gerir ou mesmo superar os meus desejos homossexuais, eu me casei com 21 anos de idade. Ao que se desfez dois anos e meio mais tarde por causa das minhas indiscrições sexuais, tornei-me profundamente comprometido a livrar-me da homossexualidade. Tanto assim, que permaneci em celibato  nos próximos quatro anos depois. 

Embora ainda casado, eu descobri a Exodus, cujos sócios que pensavam como eu e a programação organizada me deu esperança. Por cinco anos, eu participei de reuniões semanais do grupo de apoio em um dos seus programas de afiliados através de uma igreja local. Assisti quatro conferências anuais da Exodus em vários locais em todo o país, e até mesmo vivi por um ano dentro de um programa ex-gay residencial conhecido como Love in Action. Jornal David Christie's 1996

Tudo isso exigia um estilo de vida drasticamente alterado. Eu tive que mudar. Eu tive que mudar igrejas. Eu tive que mudar de amigos. Eu deixei para trás uma promissora carreira de pós-graduação na faculdade e assumi um emprego de escritório, a fim de minimizar os conflitos com a minha agenda incessante de terapia, grupos de apoio e eventos relacionados. Esperando realmente me purificar da homossexualidade, eu joguei fora antigas cartas e fotografias, livros e música, coisas que eu amava, mas que eu tinha vindo a acreditar foram as influências negativas. 

Ao longo de tudo isso, eu sempre lutei contra sentimentos de inutilidade, auto-ódio e culpa. A doutrina do amor incondicional de Deus era inútil para reparar os danos causados pela doutrina do pecado homossexual. Isso levou a uma depressão crônica para a qual eu tive que tomar remédios caros na minha adolescência, até que finalmente sai do armário aos 28 anos. Em algumas ocasiões, em pânico e desespero, eu pensei seriamente em suicídio. Imagem do Enterro Girodet de Atala

Certa vez, quando eu estava no Love in Action, o programa residencial ex-gay, eu fiquei apaixonado mutuamente por outro cliente. Naturalmente, esse desenvolvimento entraram em choque com os ensinamentos do programa, cultivando ainda mais profundo desgosto comigo mesmo. Para adicionar insulto a injúria, mais tarde fui agredido por um membro da equipe que perdeu o controle de seu temperamento. Embora ele pediu desculpas a organização, o dano físico, mental e emocional foi feito. Esta, aliás, foi um resultado direto do Love in Action, falta de requisitos mínimos em educação e formação por parte dos seus funcionários. Como muitas dessas organizações, que operam fora das normas de conduta terapêutica padrão.

David e Doug em SFTem sido dito que "viver bem é a melhor vingança", e desde que sai, há nove anos, esta tem sido a minha estratégia. Desde aquela época, me mudei para Nova York e voltei para a faculdade, tenho novos amigos e me reconciliei com alguns que eu tinha perdido, eu tenho um parceiro maravilhoso de sete anos. Para minha grande satisfação continuei amigos, da minha ex-esposa, que está feliz, se casou recentemente e se tornou mãe. Eu já não tenho necessidade de anti-depressivos. Eu agora dou valor, respeito e confio em mim de uma forma que é comum a maioria das pessoas,  exatamente com um ex-gay é ensinado a não ser. Estou em paz comigo mesmo de uma forma que nunca poderia ser como um ex-gay. 

Doug e David em MemphisMas eu estou cheio de cicatrizes, e cada dia eu sinto o peso do arrependimento e pesar. Eu me compadeço de meus próprios anos de angústia, mas também para a confusão e a dor que causei a minha esposa, minha família e meus amigos. E com certeza, eu gastei muito dinheiro nesse processo, mas o que eu quero de volta mais do que qualquer coisa é o tempo e energia eu coloquei nisso. Na faculdade, meus colegas são uma década mais jovem que eu, e dificilmente passa um dia que eu não pergunte: onde eu estaria agora se não tivesse  entrado numa terapia ex-gay? Onde eu estaria profissionalmente? Quanto mais estáveis financeiramente eu seria? Quanto mais confiante? Quanto mais perto da auto-realização? Sei que essas questões poderiam envenenar o meu progresso, mas mesmo assim, elas surgem naturalmente, e eu tenho que lutar com elas o tempo todo. Eu mesmo dou crédito a minha experiência de ex-gays, contribuiu para a auto-reflexão que me levou para onde eu estou hoje, mas eu afirmo que ninguém deveria ter que passar pelo inferno para chegar a tal lugar. 




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