Se você já foi reprimido por sistemas religiosos que te ofereceram algum tratamento milagroso para transforma-lo em hetero, mas conseguiu se libertar dessa mentira, seja bem vindo. Venha ajudar quem ainda está aprisionado a encontrar a verdadeira liberdade.
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domingo, 10 de maio de 2015
Um gay tem o direito de querer não ser gay?
O movimento Ex Gay (aquele que induz gays a uma suposta reversão sexual, prometendo transforma-los em heteros) vem utilizando a falácia de que todo o cidadão que por livre e espontânea vontade não se sentir feliz com sua condição/identidade LGBTQ+ tem o direito de procurar um psicólogo para reverter sua situação para hetero.
Essa linha de argumentação tem sido usada por parlamentares como o deputado federal Marco Feliciano para respaldar projetos de leis que permitem psicólogos evangélicos a incentivar a gays se tornarem heteros (sic).
Nosso blog esta repleto de depoimentos de Ex-ex-gays, pessoas que até tentaram e sofreram bastante ao se submeter a esses "tratamentos de reversão sexual" mas viram que tudo isso é uma grande mentira.
Uma pessoa que frequenta uma igreja evangélica ou que foi criada em uma família evangélica, que a todo tempo ouviu de seus familiares, amigos, líderes religiosos que ser gay era está em pecado, que ele vai pro inferno, que ele é uma aberração. Que por toda sua vida foi induzida a não se aceitar.
Será que podemos dizer que essa pessoa irá procurar um psicólogo por "livre e espontânea vontade"?
Até que ponto a lavagem sofrida por essas pessoas dentro de suas casas e igrejas será levada em conta em tais leis que permitam que um psicólogo possa oprimir a sexualidade de outrem?
LGBTs que desde sempre foram aceitos em seus ambientes de convívios por amigos, familiares e todos que o cercam nunca irão sentir a necessidade de ir procurar um psicólogo para mudar sua condição.
Não existe livre e espontânea vontade quando um gay não sofre desde sempre tais pressões.
A verdade é que eles são induzidos e aconselhados por seus líderes e familiares a procurarem tais tratamentos.
Não podemos continuar permitindo que religiosos e conservadores continuem a destuir nossas vidas dessa maneira. Denuncie!
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domingo, 20 de maio de 2012
Dr. Robert L. Spitzer, famoso psiquiatra pede desculpas por estudo sobre "cura" para gays.
O fato foi simplesmente que ele fez tudo errado, e ao final de uma longa e revolucionária carreira, não importava com quanta frequência estivesse certo, o quão poderoso tinha sido ou o que isso significaria para seu legado.
O Dr. Robert L. Spitzer, considerado por alguns como o pai da psiquiatria moderna, que completa 80 anos nesta semana, acordou recentemente às 4 horas da madrugada ciente de que tinha que fazer algo que não é natural para ele.
Ele se esforçou e andou cambaleando no escuro. Sua mesa parecia impossivelmente distante; Spitzer sofre de mal de Parkinson e tem dificuldade para caminhar, se sentar e até mesmo manter sua cabeça ereta.
O Dr. Robert L. Spitzer, considerado por alguns como o pai da psiquiatria moderna, que completa 80 anos nesta semana, acordou recentemente às 4 horas da madrugada ciente de que tinha que fazer algo que não é natural para ele.
Ele se esforçou e andou cambaleando no escuro. Sua mesa parecia impossivelmente distante; Spitzer sofre de mal de Parkinson e tem dificuldade para caminhar, se sentar e até mesmo manter sua cabeça ereta.
A palavra que ele às vezes usa para descrever essas limitações –patéticas– é a mesma que empregou por décadas como um machado, para atacar ideias tolas, teorias vazias e estudos sem valor.
Agora, ali estava ele diante de seu computador, pronto para se retratar de um estudo que realizou, uma investigação mal concebida de 2003 que apoiava o uso da chamada terapia reparativa para “cura” da homossexualidade, voltada para pessoas fortemente motivadas a mudar.
O que dizer? A questão do casamento gay estava sacudindo novamente a política nacional. O Legislativo da Califórnia estava debatendo um projeto de lei proibindo a terapia como sendo perigosa. Um jornalista de revista que se submeteu à terapia na adolescência, o visitou recentemente em sua casa, para explicar quão miseravelmente desorientadora foi a experiência.
E ele soube posteriormente que um relatório da Organização Mundial de Saúde, divulgado na quinta-feira (17), considera a terapia “uma séria ameaça à saúde e bem-estar –até mesmo à vida– das pessoas afetadas”.
Os dedos de Spitzer tremiam sobre as teclas, não confiáveis, como se sufocassem com as palavras. E então estava feito: uma breve carta a ser publicada neste mês, na mesma revista onde o estudo original apareceu.
“Eu acredito que devo desculpas à comunidade gay”, conclui o texto.
O que dizer? A questão do casamento gay estava sacudindo novamente a política nacional. O Legislativo da Califórnia estava debatendo um projeto de lei proibindo a terapia como sendo perigosa. Um jornalista de revista que se submeteu à terapia na adolescência, o visitou recentemente em sua casa, para explicar quão miseravelmente desorientadora foi a experiência.
E ele soube posteriormente que um relatório da Organização Mundial de Saúde, divulgado na quinta-feira (17), considera a terapia “uma séria ameaça à saúde e bem-estar –até mesmo à vida– das pessoas afetadas”.
Os dedos de Spitzer tremiam sobre as teclas, não confiáveis, como se sufocassem com as palavras. E então estava feito: uma breve carta a ser publicada neste mês, na mesma revista onde o estudo original apareceu.
“Eu acredito que devo desculpas à comunidade gay”, conclui o texto.
Perturbador da paz
A ideia de estudar a terapia reparadora foi toda de Spitzer, dizem aqueles que o conhecem, um esforço de uma ortodoxia que ele mesmo ajudou a estabelecer.
No final dos anos 90 como hoje, o establishment psiquiátrico considerava a terapia sem valor. Poucos terapeutas consideravam a homossexualidade uma desordem.
Nem sempre foi assim. Até os anos 70, o manual de diagnóstico do campo classificava a homossexualidade como uma doença, a chamando de “transtorno de personalidade sociopática”. Muitos terapeutas ofereciam tratamento, incluindo os analistas freudianos que dominavam o campo na época.
Os defensores dos gays fizeram objeção furiosamente e, em 1970, um ano após os protestos de Stonewall para impedir as batidas policiais em um bar de Nova York, um grupo de manifestantes dos direitos dos gays confrontou um encontro de terapeutas comportamentais em Nova York para discutir o assunto. O encontro foi encerrado, mas não antes de um jovem professor da Universidade de Columbia sentar-se com os manifestantes para ouvir seus argumentos.
“Eu sempre fui atraído por controvérsia e o que eu ouvi fazia sentido”, disse Spitzer, em uma entrevista em sua casa na semana passada. “E eu comecei a pensar, bem, se é uma desordem mental, então o que a faz assim?”
Ele comparou a homossexualidade com outras condições definidas como transtornos, tais como depressão e dependência de álcool, e viu imediatamente que as últimas causavam angústia acentuada e dano, enquanto a homossexualidade frequentemente não.
Ele também viu uma oportunidade de fazer algo a respeito. Spitzer era na época membro de um comitê da Associação Americana de Psiquiatria, que estava ajudando a atualizar o manual de diagnóstico da área, e organizou prontamente um simpósio para discutir o lugar da homossexualidade.
A iniciativa provocou uma série de debates amargos, colocando Spitzer contra dois importantes psiquiatras influentes que não cediam. No final, a associação psiquiátrica ficou ao lado de Spitzer em 1973, decidindo remover a homossexualidade de seu manual e substituí-la pela alternativa dele, “transtorno de orientação sexual”, para identificar as pessoas cuja orientação sexual, gay ou hétero, lhes causava angústia.
Apesar da linguagem arcana, a homossexualidade não era mais um “transtorno”. Spitzer conseguiu um avanço nos direitos civis em tempo recorde.
“Eu não diria que Robert Spitzer se tornou um nome popular entre o movimento gay mais amplo, mas a retirada da homossexualidade foi amplamente celebrada como uma vitória”, disse Ronald Bayer, do Centro para História e Ética da Saúde Pública, em Columbia. “‘Não Mais Doente’ foi a manchete em alguns jornais gays.”
Em parte como resultado, Spitzer se encarregou da tarefa de atualizar o manual de diagnóstico. Juntamente com uma colega, a dra. Janet Williams, atualmente sua esposa, ele deu início ao trabalho. A um ponto ainda não amplamente apreciado, seu pensamento sobre essa única questão –a homossexualidade– provocou uma reconsideração mais ampla sobre o que é doença mental, sobre onde traçar a linha entre normal e não.
O novo manual, um calhamaço de 567 páginas lançado em 1980, se transformou em um best seller improvável, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. Ele estabeleceu instantaneamente o padrão para futuros manuais psiquiátricos e elevou seu principal arquiteto, então próximo dos 50 anos, ao pináculo de seu campo.
Ele era o protetor do livro, parte diretor, parte embaixador e parte clérigo intratável, rosnando ao telefone para cientistas, jornalistas e autores de políticas que considerava equivocados. Ele assumiu o papel como se tivesse nascido para ele, disseram colegas, ajudando a trazer ordem para um canto historicamente caótico da ciência.
Mas o poder tem seu próprio tipo de confinamento. Spitzer ainda podia perturbar a paz, mas não mais pelos flancos, como um rebelde. Agora ele era o establishment. E no final dos anos 90, disseram amigos, ele permanecia tão inquieto como sempre, ávido em contestar as suposições comuns.
Foi quando se deparou com outro grupo de manifestantes, no encontro anual da associação psiquiátrica em 1999: os autodescritos ex-gays. Como os manifestantes homossexuais em 1973, eles também se sentiam ultrajados por a psiquiatria estar negando a experiência deles –e qualquer terapia que pudesse ajudar.
No final dos anos 90 como hoje, o establishment psiquiátrico considerava a terapia sem valor. Poucos terapeutas consideravam a homossexualidade uma desordem.
Nem sempre foi assim. Até os anos 70, o manual de diagnóstico do campo classificava a homossexualidade como uma doença, a chamando de “transtorno de personalidade sociopática”. Muitos terapeutas ofereciam tratamento, incluindo os analistas freudianos que dominavam o campo na época.
Os defensores dos gays fizeram objeção furiosamente e, em 1970, um ano após os protestos de Stonewall para impedir as batidas policiais em um bar de Nova York, um grupo de manifestantes dos direitos dos gays confrontou um encontro de terapeutas comportamentais em Nova York para discutir o assunto. O encontro foi encerrado, mas não antes de um jovem professor da Universidade de Columbia sentar-se com os manifestantes para ouvir seus argumentos.
“Eu sempre fui atraído por controvérsia e o que eu ouvi fazia sentido”, disse Spitzer, em uma entrevista em sua casa na semana passada. “E eu comecei a pensar, bem, se é uma desordem mental, então o que a faz assim?”
Ele comparou a homossexualidade com outras condições definidas como transtornos, tais como depressão e dependência de álcool, e viu imediatamente que as últimas causavam angústia acentuada e dano, enquanto a homossexualidade frequentemente não.
Ele também viu uma oportunidade de fazer algo a respeito. Spitzer era na época membro de um comitê da Associação Americana de Psiquiatria, que estava ajudando a atualizar o manual de diagnóstico da área, e organizou prontamente um simpósio para discutir o lugar da homossexualidade.
A iniciativa provocou uma série de debates amargos, colocando Spitzer contra dois importantes psiquiatras influentes que não cediam. No final, a associação psiquiátrica ficou ao lado de Spitzer em 1973, decidindo remover a homossexualidade de seu manual e substituí-la pela alternativa dele, “transtorno de orientação sexual”, para identificar as pessoas cuja orientação sexual, gay ou hétero, lhes causava angústia.
Apesar da linguagem arcana, a homossexualidade não era mais um “transtorno”. Spitzer conseguiu um avanço nos direitos civis em tempo recorde.
“Eu não diria que Robert Spitzer se tornou um nome popular entre o movimento gay mais amplo, mas a retirada da homossexualidade foi amplamente celebrada como uma vitória”, disse Ronald Bayer, do Centro para História e Ética da Saúde Pública, em Columbia. “‘Não Mais Doente’ foi a manchete em alguns jornais gays.”
Em parte como resultado, Spitzer se encarregou da tarefa de atualizar o manual de diagnóstico. Juntamente com uma colega, a dra. Janet Williams, atualmente sua esposa, ele deu início ao trabalho. A um ponto ainda não amplamente apreciado, seu pensamento sobre essa única questão –a homossexualidade– provocou uma reconsideração mais ampla sobre o que é doença mental, sobre onde traçar a linha entre normal e não.
O novo manual, um calhamaço de 567 páginas lançado em 1980, se transformou em um best seller improvável, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. Ele estabeleceu instantaneamente o padrão para futuros manuais psiquiátricos e elevou seu principal arquiteto, então próximo dos 50 anos, ao pináculo de seu campo.
Ele era o protetor do livro, parte diretor, parte embaixador e parte clérigo intratável, rosnando ao telefone para cientistas, jornalistas e autores de políticas que considerava equivocados. Ele assumiu o papel como se tivesse nascido para ele, disseram colegas, ajudando a trazer ordem para um canto historicamente caótico da ciência.
Mas o poder tem seu próprio tipo de confinamento. Spitzer ainda podia perturbar a paz, mas não mais pelos flancos, como um rebelde. Agora ele era o establishment. E no final dos anos 90, disseram amigos, ele permanecia tão inquieto como sempre, ávido em contestar as suposições comuns.
Foi quando se deparou com outro grupo de manifestantes, no encontro anual da associação psiquiátrica em 1999: os autodescritos ex-gays. Como os manifestantes homossexuais em 1973, eles também se sentiam ultrajados por a psiquiatria estar negando a experiência deles –e qualquer terapia que pudesse ajudar.
A terapia reparativa
A terapia reparativa, às vezes chamada de terapia de “conversão” ou “reorientação sexual”, é enraizada na ideia de Freud de que as pessoas nascem bissexuais e podem se mover ao longo de um contínuo de um extremo ao outro. Alguns terapeutas nunca abandonaram a teoria e um dos principais rivais de Spitzer no debate de 1973, o dr. Charles W. Socarides, fundou uma organização chamada Associação Nacional para Pesquisa e Terapia da Homossexualidade (Narth, na sigla em inglês), no sul da Califórnia, para promovê-la.
Em 1998, a Narth formou alianças com grupos de defesa socialmente conservadores e juntos eles iniciaram uma campanha agressiva, publicando anúncios de página inteira em grandes jornais para divulgar histórias de sucesso.
“Pessoas com uma visão de mundo compartilhada basicamente se uniram e criaram seu próprio grupo de especialistas, para oferecer visões alternativas de políticas”, disse o dr. Jack Drescher, psiquiatra em Nova York e coeditor de “Ex-Gay Research: Analyzing the Spitzer Study and Its Relation to Science, Religion, Politics, and Culture”.
Para Spitzer, a pergunta científica no mínimo valia a pena ser feita: qual era o efeito da terapia, se é que havia algum? Estudos anteriores tinham sido tendenciosos e inconclusivos.
“As pessoas me diziam na época: ‘Bob, você vai arruinar sua carreira, não faça isso’”, disse Spitzer. “Mas eu não me sentia vulnerável.”
Ele recrutou 200 homens e mulheres, dos centros que realizavam a terapia, incluindo o Exodus International, com sede na Flórida, e da Narth. Ele entrevistou cada um profundamente por telefone, perguntando sobre seus impulsos sexuais, sentimentos, comportamentos antes e depois da terapia, classificando as respostas em uma escala.
Spitzer então comparou os resultados de seu questionário, antes e depois da terapia. “A maioria dos participantes relatou mudança de uma orientação predominante ou exclusivamente homossexual antes da terapia, para uma orientação predominante ou exclusivamente heterossexual no ano passado”, concluiu seu estudo.
O estudo –apresentado em um encontro de psiquiatria em 2001, antes da publicação– tornou-se imediatamente uma sensação e grupos de ex-gays o apontaram como evidência sólida de seu caso. Afinal aquele era Spitzer, o homem que sozinho removeu a homossexualidade do manual de transtornos mentais. Ninguém poderia acusá-lo de tendencioso.
Mas líderes gays o acusaram de traição e tinham suas razões.
O estudo apresentava problemas sérios. Ele se baseava no que as pessoas se lembravam de sentir anos antes –uma lembrança às vezes vaga. Ele incluía alguns defensores ex-gays, que eram politicamente ativos. E não testava uma terapia em particular; apenas metade dos participantes se tratou com terapeutas, enquanto outros trabalharam com conselheiros pastorais ou em grupos independentes de estudos da Bíblia.
Vários colegas tentaram impedir o estudo e pediram para que ele não o publicasse, disse Spitzer.
Mas altamente empenhado após todo o trabalho, ele recorreu a um amigo e ex-colaborador, o dr. Kenneth J. Zucker, psicólogo-chefe do Centro para Vício e Saúde Mental, em Toronto, e editor do “Archives of Sexual Behavior”, outra revista influente.
“Eu conhecia o Bob e a qualidade do seu trabalho, e concordei em publicá-lo”, disse Zucker em uma entrevista na semana passada.
O artigo não passou pelo habitual processo de revisão por pares, no qual especialistas anônimos avaliam o artigo antes da publicação.
“Mas eu lhe disse que o faria apenas se também publicasse os comentários” de resposta de outros cientistas para acompanhar o estudo, disse Zucker.
Esses comentários, com poucas exceções, foram impiedosos. Um citou o Código de Nuremberg de ética para condenar o estudo não apenas como falho, mas também moralmente errado.
“Nós tememos as repercussões desse estudo, incluindo o aumento do sofrimento, do preconceito e da discriminação”, concluiu um grupo de 15 pesquisadores do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York, do qual Spitzer era afiliado.
Spitzer não deixou implícito no estudo que ser gay era uma opção, ou que era possível para qualquer um que quisesse mudar fazê-lo com terapia. Mas isso não impediu grupos socialmente conservadores de citarem o estudo em apoio a esses pontos, segundo Wayne Besen, diretor executivo da Truth Wins Out, uma organização sem fins lucrativos que combate o preconceito contra os gays.
Em uma ocasião, um político da Finlândia apresentou o estudo no Parlamento para argumentar contra as uniões civis, segundo Drescher.
“Precisa ser dito que quando este estudo foi mal utilizado para fins políticos, para dizer que os gays deviam ser curados –como ocorreu muitas vezes. Bob respondia imediatamente, para corrigir as percepções equivocadas”, disse Drescher, que é gay.
Mas Spitzer não conseguiu controlar a forma como seu estudo era interpretado por cada um e não conseguiu apagar o maior erro científico de todos, claramente atacado em muitos dos comentários: simplesmente perguntar para as pessoas se elas mudaram não é evidência de mudança real. As pessoas mentem, para si mesmas e para os outros. Elas mudam continuamente suas histórias, para atender suas necessidades e humores.
Resumindo, segundo quase qualquer medição, o estudo fracassou no teste do rigor científico que o próprio Spitzer foi tão importante em exigir por muitos anos.
Em 1998, a Narth formou alianças com grupos de defesa socialmente conservadores e juntos eles iniciaram uma campanha agressiva, publicando anúncios de página inteira em grandes jornais para divulgar histórias de sucesso.
“Pessoas com uma visão de mundo compartilhada basicamente se uniram e criaram seu próprio grupo de especialistas, para oferecer visões alternativas de políticas”, disse o dr. Jack Drescher, psiquiatra em Nova York e coeditor de “Ex-Gay Research: Analyzing the Spitzer Study and Its Relation to Science, Religion, Politics, and Culture”.
Para Spitzer, a pergunta científica no mínimo valia a pena ser feita: qual era o efeito da terapia, se é que havia algum? Estudos anteriores tinham sido tendenciosos e inconclusivos.
“As pessoas me diziam na época: ‘Bob, você vai arruinar sua carreira, não faça isso’”, disse Spitzer. “Mas eu não me sentia vulnerável.”
Ele recrutou 200 homens e mulheres, dos centros que realizavam a terapia, incluindo o Exodus International, com sede na Flórida, e da Narth. Ele entrevistou cada um profundamente por telefone, perguntando sobre seus impulsos sexuais, sentimentos, comportamentos antes e depois da terapia, classificando as respostas em uma escala.
Spitzer então comparou os resultados de seu questionário, antes e depois da terapia. “A maioria dos participantes relatou mudança de uma orientação predominante ou exclusivamente homossexual antes da terapia, para uma orientação predominante ou exclusivamente heterossexual no ano passado”, concluiu seu estudo.
O estudo –apresentado em um encontro de psiquiatria em 2001, antes da publicação– tornou-se imediatamente uma sensação e grupos de ex-gays o apontaram como evidência sólida de seu caso. Afinal aquele era Spitzer, o homem que sozinho removeu a homossexualidade do manual de transtornos mentais. Ninguém poderia acusá-lo de tendencioso.
Mas líderes gays o acusaram de traição e tinham suas razões.
O estudo apresentava problemas sérios. Ele se baseava no que as pessoas se lembravam de sentir anos antes –uma lembrança às vezes vaga. Ele incluía alguns defensores ex-gays, que eram politicamente ativos. E não testava uma terapia em particular; apenas metade dos participantes se tratou com terapeutas, enquanto outros trabalharam com conselheiros pastorais ou em grupos independentes de estudos da Bíblia.
Vários colegas tentaram impedir o estudo e pediram para que ele não o publicasse, disse Spitzer.
Mas altamente empenhado após todo o trabalho, ele recorreu a um amigo e ex-colaborador, o dr. Kenneth J. Zucker, psicólogo-chefe do Centro para Vício e Saúde Mental, em Toronto, e editor do “Archives of Sexual Behavior”, outra revista influente.
“Eu conhecia o Bob e a qualidade do seu trabalho, e concordei em publicá-lo”, disse Zucker em uma entrevista na semana passada.
O artigo não passou pelo habitual processo de revisão por pares, no qual especialistas anônimos avaliam o artigo antes da publicação.
“Mas eu lhe disse que o faria apenas se também publicasse os comentários” de resposta de outros cientistas para acompanhar o estudo, disse Zucker.
Esses comentários, com poucas exceções, foram impiedosos. Um citou o Código de Nuremberg de ética para condenar o estudo não apenas como falho, mas também moralmente errado.
“Nós tememos as repercussões desse estudo, incluindo o aumento do sofrimento, do preconceito e da discriminação”, concluiu um grupo de 15 pesquisadores do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York, do qual Spitzer era afiliado.
Spitzer não deixou implícito no estudo que ser gay era uma opção, ou que era possível para qualquer um que quisesse mudar fazê-lo com terapia. Mas isso não impediu grupos socialmente conservadores de citarem o estudo em apoio a esses pontos, segundo Wayne Besen, diretor executivo da Truth Wins Out, uma organização sem fins lucrativos que combate o preconceito contra os gays.
Em uma ocasião, um político da Finlândia apresentou o estudo no Parlamento para argumentar contra as uniões civis, segundo Drescher.
“Precisa ser dito que quando este estudo foi mal utilizado para fins políticos, para dizer que os gays deviam ser curados –como ocorreu muitas vezes. Bob respondia imediatamente, para corrigir as percepções equivocadas”, disse Drescher, que é gay.
Mas Spitzer não conseguiu controlar a forma como seu estudo era interpretado por cada um e não conseguiu apagar o maior erro científico de todos, claramente atacado em muitos dos comentários: simplesmente perguntar para as pessoas se elas mudaram não é evidência de mudança real. As pessoas mentem, para si mesmas e para os outros. Elas mudam continuamente suas histórias, para atender suas necessidades e humores.
Resumindo, segundo quase qualquer medição, o estudo fracassou no teste do rigor científico que o próprio Spitzer foi tão importante em exigir por muitos anos.
“Ao ler esses comentários, eu sabia que era um problema, um grande problema, e um que eu não podia responder”, disse Spitzer. “Como você sabe que alguém realmente mudou?”
Reconhecimento
Foram necessários 11 anos para ele reconhecer publicamente.
Inicialmente ele se agarrou à ideia de que o estudo era exploratório, uma tentativa de levar os cientistas a pensarem duas vezes antes de descartar uma terapia de cara. Então ele se refugiou na posição de que o estudo se concentrava menos na eficácia da terapia e mais em como as pessoas tratadas com ele descreviam mudanças na orientação sexual.
“Não é um pergunta muito interessante”, ele disse. “Mas por muito tempo eu pensei que talvez não tivesse que enfrentar o problema maior, sobre a medição da mudança.”
Após se aposentar em 2003, ele permaneceu ativo em muitas frentes, mas o estudo da terapia reparativa permaneceu um elemento importante das guerras culturais e um arrependimento pessoal que não o deixava em paz. Os sintomas de Parkinson pioraram no ano passado, o esgotando física e mentalmente, tornando ainda mais difícil para ele lutar contra as dores do remorso.
E, em um dia em março, Spitzer recebeu um visitante. Gabriel Arana, um jornalista da revista “The American Prospect”, entrevistou Spitzer sobre o estudo sobre terapia reparativa. Aquela não era uma entrevista qualquer; Arana se submeteu à terapia reparativa na adolescência e o terapeuta dele recrutou o jovem para o estudo de Spitzer (Arana não participou).
“Eu perguntei a ele sobre todos os seus críticos e ele disse: ‘Eu acho que eles estão certos’”, disse Arana, que escreveu sobre suas próprias experiências no mês passado. Arana disse que a terapia reparativa acabou adiando sua autoaceitação e lhe induziu a pensamentos de suicídio. “Mas na época que fui recrutado para o estudo de Spitzer, eu era considerado uma história de sucesso. Eu teria dito que estava fazendo progressos.”
Aquilo foi o que faltava. O estudo que na época parecia uma mera nota de rodapé em uma grande vida estava se transformando em um capítulo. E precisava de um final apropriado –uma forte correção, diretamente por seu autor, não por um jornalista ou colega.
Um esboço da carta já vazou online e foi divulgado.
“Você sabe, é o único arrependimento que tenho; o único profissional”, disse Spitzer sobre o estudo, perto do final de uma longa entrevista. “E eu acho que, na história da psiquiatria, eu não creio que tenha visto um cientista escrever uma carta dizendo que os dados estavam lá, mas foram interpretados erroneamente. Que tenha admitido isso e pedido desculpas aos seus leitores.”
Ele desviou o olhar e então voltou de novo, com seus olhos grandes cheios de emoção. “Isso é alguma coisa, você não acha?”
Tradutor: George El Khouri AndolfatoReportagem: Benedict CareyFonte: The New York Times, em Princeton (EUA)
Inicialmente ele se agarrou à ideia de que o estudo era exploratório, uma tentativa de levar os cientistas a pensarem duas vezes antes de descartar uma terapia de cara. Então ele se refugiou na posição de que o estudo se concentrava menos na eficácia da terapia e mais em como as pessoas tratadas com ele descreviam mudanças na orientação sexual.
“Não é um pergunta muito interessante”, ele disse. “Mas por muito tempo eu pensei que talvez não tivesse que enfrentar o problema maior, sobre a medição da mudança.”
Após se aposentar em 2003, ele permaneceu ativo em muitas frentes, mas o estudo da terapia reparativa permaneceu um elemento importante das guerras culturais e um arrependimento pessoal que não o deixava em paz. Os sintomas de Parkinson pioraram no ano passado, o esgotando física e mentalmente, tornando ainda mais difícil para ele lutar contra as dores do remorso.
E, em um dia em março, Spitzer recebeu um visitante. Gabriel Arana, um jornalista da revista “The American Prospect”, entrevistou Spitzer sobre o estudo sobre terapia reparativa. Aquela não era uma entrevista qualquer; Arana se submeteu à terapia reparativa na adolescência e o terapeuta dele recrutou o jovem para o estudo de Spitzer (Arana não participou).
“Eu perguntei a ele sobre todos os seus críticos e ele disse: ‘Eu acho que eles estão certos’”, disse Arana, que escreveu sobre suas próprias experiências no mês passado. Arana disse que a terapia reparativa acabou adiando sua autoaceitação e lhe induziu a pensamentos de suicídio. “Mas na época que fui recrutado para o estudo de Spitzer, eu era considerado uma história de sucesso. Eu teria dito que estava fazendo progressos.”
Aquilo foi o que faltava. O estudo que na época parecia uma mera nota de rodapé em uma grande vida estava se transformando em um capítulo. E precisava de um final apropriado –uma forte correção, diretamente por seu autor, não por um jornalista ou colega.
Um esboço da carta já vazou online e foi divulgado.
“Você sabe, é o único arrependimento que tenho; o único profissional”, disse Spitzer sobre o estudo, perto do final de uma longa entrevista. “E eu acho que, na história da psiquiatria, eu não creio que tenha visto um cientista escrever uma carta dizendo que os dados estavam lá, mas foram interpretados erroneamente. Que tenha admitido isso e pedido desculpas aos seus leitores.”
Ele desviou o olhar e então voltou de novo, com seus olhos grandes cheios de emoção. “Isso é alguma coisa, você não acha?”
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Testemunho do Leitor: Ex ex gay fala sobre seu encontro com Deus dentro da Exodus Internacional.
Como o depoimento é muito grande coloquei apenas a parte em que meu amigo começa a falar de sua experiência na Exodus, mas o depoimento completo você encontra no blog dele no wordpress, o Homodiálogos.
... Entrei numa séria crise chegando a ficar uma semana trancado dentro da casinha que eu tinha alugado, sem comer, sem atender telefone nem campainha, sem ligar TV ou a luz. Queria sim morrer. Essa vida não é para mim.
Até que um belo dia ouço a voz de meu pai me chamando na porta e minha mãe batendo na janela do meu quarto. Estavam desesperados pois nem mesmo meus vizinhos nem o único amigo que tinha sobrado tinha alguma noticia de mim. Estavam ha uma semana tentando falar comigo e não conseguiam pois eu tinha tirado o telefone da tomada.
Por estes e outros motivos, eu tinha rompido a minha relação com Deus. Para mim, naquele momento Ele era algo digno de historinhas infantis, criação de mentes perturbadas que viviam uma utopia para sanar ou amenizar suas mazelas e neuroses pessoais. Estava num ponto que Ele existindo ou não era totalmente indiferente para mim. Não agredia ninguém por causa de sua fé, mas que não ousassem vir me falar d’Ele.
Abri a porta e foi como se eu tivesse tirado o mundo de seus ombros. A expressão de alívio, alegria e amor deles tenho gravada até hoje em minha mente.
Mas, eles são evangélicos. Numa tentativa desesperada em me “salvar”, como não encontraram o pastor Elias em Curitiba, acabaram me levando á um templo da Igreja Universal. Lá, no meio da tarde, umas 50 pessoas ouvindo o sermão de um daqueles pastores “estudados”. Mal nos sentamos e ele começa com um papo tipo isso: “Irmãos, Deus está me pedindo para provar a fé de vocês neste momento. Tenho aqui em mãos alguns CDs do músico de nossa igreja “Fulano de tal”. Se você crê realmente que tudo o que deres a Deus ele lhe dará em dobro, compre agora este CD por R$ 5.000,00.”
Olhei para meus pais com ar de desprezo mas isso foi interrompido por uma senhora que levantou-se, foi lá e preencheu um cheque e comprou o tal CD. Atônito assisti à cena mais bizarra que já presenciei dentro de uma igreja: ele foi negociando a fé daquelas pessoas, abaixando cada vez mais o valor do CD até que a última pessoa comprou-o por meros R$ 0,50. Olhei para meus pais e disse em alto e bom som: “Se isto for Deus, quero que ele se foda!”
Nisso vieram alguns membros da igreja (diáconos) e perguntaram se precisávamos de oração. Antes que meus pais abrissem a boca lancei: “Se ousarem orar ou encostar suas mãos imundas sobre mim ou meus pais, a porrada vai rolar aqui dentro.” Levantei-me e puxei meus pais para fora e fomos embora.
Bom, acabei voltando para a cidade deles, para dentro da casa deles e com uma única condição: “Você vai voltar a frequentar a igreja e vai largar desta vida mundana”.
Amém! Como eu poderia rejeitar se eu estava literalmente fodido? Morando num casebre, passando fome, em depressão profunda, desempregado, com pensamentos suicidas, etc.
Comecei a frequentar a igreja, meio sem jeito pois na cidade pequena, pelo meu passado (a bichinha da escola e do clube), a maioria da congregação sabia que eu era “viado”. Sempre percebia os rabos de olho, o zumzumzum, as risadinhas e podem acreditar: não era mania de perseguição ok?
Claro que tive de conversar com o corpo pastoral da igreja e falar absolutamente tudo sobre minha vida.
Um deles, ao me receber para os discipulados, sentava-se em sua cadeira e, enquanto conversavamos, ficava lá do outro lado da mesa patolando-se (quem não sabe o que é isso, é aquele ato de ficar pegando no cacete, juntando gostoso com as mãos, oferecendo-o a quem está observando).
Sim, ele estava excitado em todas as vezes. Ele não estava apenas me testando, ele queria sim é entrar na putaria ou ter alguns momentos de putaria comigo ali dentro da sala dele com a porta devidamente trancada.
Busquei então outro pastor. Passei a ser discipulado por um pastor maravilhoso (D.) que assim como eu, tinha uma vida “mundana” pregressa (no caso dele, drogas). Mas infelizmente não percebi os toques sutis que ele tentava me dar. Ele foi mandado para outra igreja e me jogaram nas mãos de um outro pastor, fundamentalista de primeira grandeza.
Tudo o que o Michael (fundador da exodus) coloca no texto dele, eu vivenciei por longos 3 anos.
Nada de masturbação, nada de internet, nada de vida noturna ou social – a nao ser que estivesse junto com membros da igreja e apenas com estes. E dá-lhe rejeição, repressão, noites em claro chorando e perguntando a Deus o porque d’Ele nao me tirar a vida já que aquilo nao saía de mim? Que maldição era aquela? O que eu tinha feito de tão ruim para me sentir o pior ser humano da face desta terra? Desprezível? Porque ter de conviver com pais que falavam em alto e bom som que nao deixariam seus filhinhos no berçário porque o pederasta, sodomita estava lá ajudando o departamento infantil naquele dia, e ainda ter de perdoa-los silenciosamente, em oração?
Comecei a frequentar o Exodus por indicação de um membro da igreja pois eu já estava ficando agressivo com algumas pessoas, impaciente e, segundo ele, o ministério poderia me auxiliar.
Foi um encontro, depois outro, e mais outro e ainda muitos outros. Sempre aquela mesma pressão psicológica. Aproveitando as frases do depoimento do Michael para explicar esta fase, fui me afundando ainda mais em culpa, ansiedade e ódio contra mim mesmo. Uma profunda fase de auto-destruição que chegava a picos de auto flagelação quando me deparava diante do espelho do banheiro e me espancava. Só não cometi suicídio pois Deus me fez um homem covarde o suficiente para tal ato. Mas os pensamentos eram exatamente estes:
“Eu tenho que me “purificar”. Não há cristão homossexual. Se eu era um cristão de fato, então já não era mais gay aos olhos de Deus. Determine isso em sua vida! Continue orando, pois você não está orando o suficiente e o pecado (inimigo, diabo, etc) está te vencendo. Se você não vencer isso não herdará o reino dos céus. Porque eu não estou mudando? Porque, mesmo depois disso tudo, o Senhor ainda não me apresentou o Espírito Santo? Ainda não bastou tanto sofrimento e angústia? Toma a tua cruz e carregue-a assim como Cristo carregou a dele."
E ainda tinha de ouvir diariamente de diversas pessoas dentro da igreja:
“Você pode não ser um cristão verdadeiro. Você não tem fé suficiente. Você não está orando e lendo a Bíblia o suficiente. Talvez você tenha um demônio.Você não é sincero o suficiente. Você não está se esforçando o suficiente. Você não tem fé suficiente. Não caia! Estamos orando muito para que Deus te liberte disso e você encontre a verdadeira felicidade. Você não entregou a sua vida verdadeiramente a Cristo. A Bíblia diz em (…) que o homossexualismo é uma aberração aos olhos de Deus. Você quer ter o mesmo fim dos Sodomitas? Por mais que você mude, jamais será digno e puro como a minha família que nasceu dentro da igreja."
Sim, eles conseguem fazer você se sentir a pessoa mais imunda do mundo. E em momento algum pedem desculpas por isso.Além disso tudo, arranjaram uma mulher para mim.
V. é uma pessoa doce, amiga, cristã verdadeira, digna, ética, tranquila em sua fé. Mas ela me foi apresentada para que eu casasse afim de provar para a sociedade e para a igreja que eu tinha virado hétero. Provar a obra de Deus em minha vida. Porém ela tinha um filho ainda bebê. Perfeito não é mesmo? Caso eu falhasse sexualmente, já teria um filho para apresentar como meu.
Neste mesmo momento, comecei a ser treinado como lider para um futuro ministério de minha igreja de cura da homossexualidade. Tudo isso com acompanhamento e cobranças de um psicólogo evangélico, uma igreja inteira e a família.
V. foi a pessoa mais incrível que eu conheci neste período. Me acompanhou em diversos encontros da Exodus, foi a acampamentos, conversavamos por horas a fio sem nunca nos tocarmos além dos carinhos de amigos (abraços e beijos no rosto). Ela tinha plena consciência de todo o processo pelo qual eu estava passando, de minha vida anterior e respeitava isso. Percebeu que eu não estava “pronto” e soube respeitar. Vivenciou várias de minhas crises existenciais onde eu implorava a Deus para me tirar a vida pois eu nao estava mais suportando tudo aquilo tudo. O fardo que Ele tinha me dado, era grande e pesado demais e eu estava a ponto de arriar a qualquer momento.
A minha depressão de 3 anos atras não só estava latente ainda como tinha piorado muito mais. Só que eu tinha uma válvula de escape: o louvor, o coral da igreja. Era o único momento em que eu me sentia bem dentro da igreja. Digo com convicção que a minha conversão não foi pela Palavra e sim pelo louvor. Foi a música que me reaproximou de Deus. Eu literalmente ligava o fôda-se e me entregava completamente ao louvor e adoração. De mim para Ele, sem me importar com quem estivesse ao lado ou assistindo as apresentações do coral. Como 1° tenor (e dramático ainda), não tinha quem não ouvisse a voz do “eterno viado agora cantante” que buscava desesperadamente a sua salvação.
Finalizava isso, voltava a escuridão. Meu deserto – ou inferno como queiram chamar – se redesenhava à minha frente.
No último encontro da Exodus que participei V. estava comigo. Passei os 3 primeiros dias do encontro chorando copiosamente em alguns momentos e como uma estátua fria e dura em outros. Lembro-me de em determinado momento do sábado a tarde, durante uma das pregações pensar: é hoje.
À noite, um grupo foi para o culto na igreja e outro permaneceu na chácara para fazer uma vigília. Fiquei e fui pro meio da mata com o pessoal. Acendemos a fogueira, começaram o louvor e eu não abri a boca. Fiquei ali estático, sentado, olhando para as chamas da fogueira. Lembro-me que em determinado momento me levantar e começar a orar silenciosamente. Orar não, na verdade eu estava indo pelo mesmo caminho que me fez afastar de Deus no passado: estava em guerra declarada com Deus.
Comecei a questionar tudo aquilo, toda a minha vida pregressa, onde haveria um pecado tão grande que eu tivesse feito que merecesse pagar daquela forma? Se fosse maldição familiar, que diabos eu tinha a ver ou que contas eu tinha a acertar por uma coisa pela qual EU nao tenho culpa alguma? O que é que Ele queria de mim afinal? Ou Ele me libertava ali, naquele momento ou que se esquecesse de mim em definitivo pois eu nao suportava mais aquilo. E caí de joelhos num berreiro (choro) que acabei assustando a todos. Vieram correndo ver o que estava acontecendo comigo.
Nesse momento emudeci por alguns instantes. Quando “voltei” comecei a chorar novamente mas me falaram que era um choro diferente, era um choro de alegria, leve, puro.
Saí dali e fui tomar um banho pois eu estava ensopado de tanto suor e lágrimas e ainda fedendo fumaça por causa da fogueira. Foi um banho restaurador e de limpeza profunda. Conforme a água ia escorrendo por meu corpo fui sentindo todo aquele peso, desespero, agonia, depressão indo pelo ralo, literalmente. Quando saí do quarto os líderes vieram conversar em particular comigo para tentar entender o que tinha sido aquilo tudo. Minha resposta foi seca e direta:
“Vocês já estiveram face a face com Deus? Pois é, acabei de ter com Ele.”
“E o que Ele te falou?”, perguntaram.
“Vá em paz meu filho. Eu te coloquei no mundo para ser feliz. Eu te amo e te aceito exatamente como você é. Estarei sempre com você.”
V. estava ao meu lado, me abraçou, me deu um beijo em minha testa e disse: “Eu sempre soube disso mas você estava tão vendado pelo desespero de sua fé que eu não conseguia brecha para te avisar. Te acompanhei porque em minha orações Deus me falou para te amparar e apoiar. Fique tranquilo, pois eu nunca me iludi com relação a nós.”
Ali eu rompi em definitivo com a Exodus e com essa tentativa estúpida de “cura”.
Mas ainda continuei na Igreja por causa do Coral. Porém não frequentava os cultos com a mesma assiduidade e, quando ia, ficava do lado de fora da igreja conversando com amigos, cristãos verdadeiros. Mas isso não durou muito tempo, apenas mais uns 2 ou 3 meses.
De certo modo comecei a observar quantos homens e mulheres homossexuais tem lá dentro. Muitos mesmo. Vários casados, a familia perfeita aos olhos da igreja, porém, percebia-se em seus olhares o tesao recalcado. Em alguns homens que chegavam perto de mim para conversar sentia aquele cheiro delicioso masculino que o corpo exala nos momentos de tesao. Muitos jovens que eu percebia que só estavam ali por imposição dos pais entre tantas outras coisas.
Bom, durante todo este período conheci vários gays que estavam na mesma situação que a minha. Desesperados, desamparados, rejeitados pelas suas famílias, pela sociedade, sofrendo e passando pelas mesmas coisas que eu estava passando. Ouvi relatos e histórias de vidas pregressas que chocariam até o mais abusado e promíscuo ser humano.
Com tudo isso, chego à conclusão de que sim, Deus enviou um anjo (V.) para cuidar de mim, me amparar durante todo este processo. Depois me presenteou com um companheiro lindo. Um homem digno, íntegro, ético, religioso, carinhoso, atencioso. Depois de um deserto infernal em minha vida, voltei a gozar a plenitude do amor, a vida e claro, literalmente falando.
Muitos daqueles que conheci na ápoca da Exodus se afastaram e voltaram para a sua vida anterior – ou “caíram” como dizem na igreja. Alguns mantiveram a sua fé, a sua religiosidade. Outros, a negaram por completo em revolta por toda a opressão que sofreram enquanto fizeram parte dos seus ministérios.
Não posso tacar pedras na Exodus irresponsavelmente. Tem seus erros e abusos? Tem sim e estes merecem tais pedradas para serem desmascarados. Mas um detalhe eu respeito muito: a verdadeira reaproximação com Deus que ela promove – ao menos no meu caso. Eu?
Vivo tendo de – tentar – explicar o inexplicável para aqueles que não passaram por isso tudo e por isso só, não conseguem entender: que eu sou sim um gay que professa uma fé protestante. Que vivo em plena paz comigo mesmo e, principalmente, tenho uma linda relação com Deus. Não oro (ou rezo) mais e tampouco frequento templos, mas sempre o louvo cantando, seja na alegria ou na dor.
Aos irmãos em Cristo só digo uma coisa: não orem nunca mais – para ninguém – por este tipo de cura. Orem sim para que Deus os faça pessoas felizes, realizadas e capaz de amar ao próximo assim como Jesus o fez. Orem para que Deus apazigue seus corações e mentes ao ponto em que consigam ouvir a voz d’Ele. Nada além disso.
Não permitam, jamais, que pastores – ou alguém – façam outras pessoas passar por tudo isso que passei.
... Entrei numa séria crise chegando a ficar uma semana trancado dentro da casinha que eu tinha alugado, sem comer, sem atender telefone nem campainha, sem ligar TV ou a luz. Queria sim morrer. Essa vida não é para mim.
Até que um belo dia ouço a voz de meu pai me chamando na porta e minha mãe batendo na janela do meu quarto. Estavam desesperados pois nem mesmo meus vizinhos nem o único amigo que tinha sobrado tinha alguma noticia de mim. Estavam ha uma semana tentando falar comigo e não conseguiam pois eu tinha tirado o telefone da tomada.
Por estes e outros motivos, eu tinha rompido a minha relação com Deus. Para mim, naquele momento Ele era algo digno de historinhas infantis, criação de mentes perturbadas que viviam uma utopia para sanar ou amenizar suas mazelas e neuroses pessoais. Estava num ponto que Ele existindo ou não era totalmente indiferente para mim. Não agredia ninguém por causa de sua fé, mas que não ousassem vir me falar d’Ele.
Abri a porta e foi como se eu tivesse tirado o mundo de seus ombros. A expressão de alívio, alegria e amor deles tenho gravada até hoje em minha mente.
Mas, eles são evangélicos. Numa tentativa desesperada em me “salvar”, como não encontraram o pastor Elias em Curitiba, acabaram me levando á um templo da Igreja Universal. Lá, no meio da tarde, umas 50 pessoas ouvindo o sermão de um daqueles pastores “estudados”. Mal nos sentamos e ele começa com um papo tipo isso: “Irmãos, Deus está me pedindo para provar a fé de vocês neste momento. Tenho aqui em mãos alguns CDs do músico de nossa igreja “Fulano de tal”. Se você crê realmente que tudo o que deres a Deus ele lhe dará em dobro, compre agora este CD por R$ 5.000,00.”
Olhei para meus pais com ar de desprezo mas isso foi interrompido por uma senhora que levantou-se, foi lá e preencheu um cheque e comprou o tal CD. Atônito assisti à cena mais bizarra que já presenciei dentro de uma igreja: ele foi negociando a fé daquelas pessoas, abaixando cada vez mais o valor do CD até que a última pessoa comprou-o por meros R$ 0,50. Olhei para meus pais e disse em alto e bom som: “Se isto for Deus, quero que ele se foda!”
Nisso vieram alguns membros da igreja (diáconos) e perguntaram se precisávamos de oração. Antes que meus pais abrissem a boca lancei: “Se ousarem orar ou encostar suas mãos imundas sobre mim ou meus pais, a porrada vai rolar aqui dentro.” Levantei-me e puxei meus pais para fora e fomos embora.
Bom, acabei voltando para a cidade deles, para dentro da casa deles e com uma única condição: “Você vai voltar a frequentar a igreja e vai largar desta vida mundana”.
Amém! Como eu poderia rejeitar se eu estava literalmente fodido? Morando num casebre, passando fome, em depressão profunda, desempregado, com pensamentos suicidas, etc.
Comecei a frequentar a igreja, meio sem jeito pois na cidade pequena, pelo meu passado (a bichinha da escola e do clube), a maioria da congregação sabia que eu era “viado”. Sempre percebia os rabos de olho, o zumzumzum, as risadinhas e podem acreditar: não era mania de perseguição ok?
Claro que tive de conversar com o corpo pastoral da igreja e falar absolutamente tudo sobre minha vida.
Um deles, ao me receber para os discipulados, sentava-se em sua cadeira e, enquanto conversavamos, ficava lá do outro lado da mesa patolando-se (quem não sabe o que é isso, é aquele ato de ficar pegando no cacete, juntando gostoso com as mãos, oferecendo-o a quem está observando).
Sim, ele estava excitado em todas as vezes. Ele não estava apenas me testando, ele queria sim é entrar na putaria ou ter alguns momentos de putaria comigo ali dentro da sala dele com a porta devidamente trancada.
Busquei então outro pastor. Passei a ser discipulado por um pastor maravilhoso (D.) que assim como eu, tinha uma vida “mundana” pregressa (no caso dele, drogas). Mas infelizmente não percebi os toques sutis que ele tentava me dar. Ele foi mandado para outra igreja e me jogaram nas mãos de um outro pastor, fundamentalista de primeira grandeza.
Tudo o que o Michael (fundador da exodus) coloca no texto dele, eu vivenciei por longos 3 anos.
Nada de masturbação, nada de internet, nada de vida noturna ou social – a nao ser que estivesse junto com membros da igreja e apenas com estes. E dá-lhe rejeição, repressão, noites em claro chorando e perguntando a Deus o porque d’Ele nao me tirar a vida já que aquilo nao saía de mim? Que maldição era aquela? O que eu tinha feito de tão ruim para me sentir o pior ser humano da face desta terra? Desprezível? Porque ter de conviver com pais que falavam em alto e bom som que nao deixariam seus filhinhos no berçário porque o pederasta, sodomita estava lá ajudando o departamento infantil naquele dia, e ainda ter de perdoa-los silenciosamente, em oração?
Comecei a frequentar o Exodus por indicação de um membro da igreja pois eu já estava ficando agressivo com algumas pessoas, impaciente e, segundo ele, o ministério poderia me auxiliar.
Foi um encontro, depois outro, e mais outro e ainda muitos outros. Sempre aquela mesma pressão psicológica. Aproveitando as frases do depoimento do Michael para explicar esta fase, fui me afundando ainda mais em culpa, ansiedade e ódio contra mim mesmo. Uma profunda fase de auto-destruição que chegava a picos de auto flagelação quando me deparava diante do espelho do banheiro e me espancava. Só não cometi suicídio pois Deus me fez um homem covarde o suficiente para tal ato. Mas os pensamentos eram exatamente estes:
“Eu tenho que me “purificar”. Não há cristão homossexual. Se eu era um cristão de fato, então já não era mais gay aos olhos de Deus. Determine isso em sua vida! Continue orando, pois você não está orando o suficiente e o pecado (inimigo, diabo, etc) está te vencendo. Se você não vencer isso não herdará o reino dos céus. Porque eu não estou mudando? Porque, mesmo depois disso tudo, o Senhor ainda não me apresentou o Espírito Santo? Ainda não bastou tanto sofrimento e angústia? Toma a tua cruz e carregue-a assim como Cristo carregou a dele."
E ainda tinha de ouvir diariamente de diversas pessoas dentro da igreja:
“Você pode não ser um cristão verdadeiro. Você não tem fé suficiente. Você não está orando e lendo a Bíblia o suficiente. Talvez você tenha um demônio.Você não é sincero o suficiente. Você não está se esforçando o suficiente. Você não tem fé suficiente. Não caia! Estamos orando muito para que Deus te liberte disso e você encontre a verdadeira felicidade. Você não entregou a sua vida verdadeiramente a Cristo. A Bíblia diz em (…) que o homossexualismo é uma aberração aos olhos de Deus. Você quer ter o mesmo fim dos Sodomitas? Por mais que você mude, jamais será digno e puro como a minha família que nasceu dentro da igreja."
Sim, eles conseguem fazer você se sentir a pessoa mais imunda do mundo. E em momento algum pedem desculpas por isso.Além disso tudo, arranjaram uma mulher para mim.
V. é uma pessoa doce, amiga, cristã verdadeira, digna, ética, tranquila em sua fé. Mas ela me foi apresentada para que eu casasse afim de provar para a sociedade e para a igreja que eu tinha virado hétero. Provar a obra de Deus em minha vida. Porém ela tinha um filho ainda bebê. Perfeito não é mesmo? Caso eu falhasse sexualmente, já teria um filho para apresentar como meu.
Neste mesmo momento, comecei a ser treinado como lider para um futuro ministério de minha igreja de cura da homossexualidade. Tudo isso com acompanhamento e cobranças de um psicólogo evangélico, uma igreja inteira e a família.
V. foi a pessoa mais incrível que eu conheci neste período. Me acompanhou em diversos encontros da Exodus, foi a acampamentos, conversavamos por horas a fio sem nunca nos tocarmos além dos carinhos de amigos (abraços e beijos no rosto). Ela tinha plena consciência de todo o processo pelo qual eu estava passando, de minha vida anterior e respeitava isso. Percebeu que eu não estava “pronto” e soube respeitar. Vivenciou várias de minhas crises existenciais onde eu implorava a Deus para me tirar a vida pois eu nao estava mais suportando tudo aquilo tudo. O fardo que Ele tinha me dado, era grande e pesado demais e eu estava a ponto de arriar a qualquer momento.
A minha depressão de 3 anos atras não só estava latente ainda como tinha piorado muito mais. Só que eu tinha uma válvula de escape: o louvor, o coral da igreja. Era o único momento em que eu me sentia bem dentro da igreja. Digo com convicção que a minha conversão não foi pela Palavra e sim pelo louvor. Foi a música que me reaproximou de Deus. Eu literalmente ligava o fôda-se e me entregava completamente ao louvor e adoração. De mim para Ele, sem me importar com quem estivesse ao lado ou assistindo as apresentações do coral. Como 1° tenor (e dramático ainda), não tinha quem não ouvisse a voz do “eterno viado agora cantante” que buscava desesperadamente a sua salvação.
Finalizava isso, voltava a escuridão. Meu deserto – ou inferno como queiram chamar – se redesenhava à minha frente.
No último encontro da Exodus que participei V. estava comigo. Passei os 3 primeiros dias do encontro chorando copiosamente em alguns momentos e como uma estátua fria e dura em outros. Lembro-me de em determinado momento do sábado a tarde, durante uma das pregações pensar: é hoje.
À noite, um grupo foi para o culto na igreja e outro permaneceu na chácara para fazer uma vigília. Fiquei e fui pro meio da mata com o pessoal. Acendemos a fogueira, começaram o louvor e eu não abri a boca. Fiquei ali estático, sentado, olhando para as chamas da fogueira. Lembro-me que em determinado momento me levantar e começar a orar silenciosamente. Orar não, na verdade eu estava indo pelo mesmo caminho que me fez afastar de Deus no passado: estava em guerra declarada com Deus.
Comecei a questionar tudo aquilo, toda a minha vida pregressa, onde haveria um pecado tão grande que eu tivesse feito que merecesse pagar daquela forma? Se fosse maldição familiar, que diabos eu tinha a ver ou que contas eu tinha a acertar por uma coisa pela qual EU nao tenho culpa alguma? O que é que Ele queria de mim afinal? Ou Ele me libertava ali, naquele momento ou que se esquecesse de mim em definitivo pois eu nao suportava mais aquilo. E caí de joelhos num berreiro (choro) que acabei assustando a todos. Vieram correndo ver o que estava acontecendo comigo.
Nesse momento emudeci por alguns instantes. Quando “voltei” comecei a chorar novamente mas me falaram que era um choro diferente, era um choro de alegria, leve, puro.
Saí dali e fui tomar um banho pois eu estava ensopado de tanto suor e lágrimas e ainda fedendo fumaça por causa da fogueira. Foi um banho restaurador e de limpeza profunda. Conforme a água ia escorrendo por meu corpo fui sentindo todo aquele peso, desespero, agonia, depressão indo pelo ralo, literalmente. Quando saí do quarto os líderes vieram conversar em particular comigo para tentar entender o que tinha sido aquilo tudo. Minha resposta foi seca e direta:
“Vocês já estiveram face a face com Deus? Pois é, acabei de ter com Ele.”
“E o que Ele te falou?”, perguntaram.
“Vá em paz meu filho. Eu te coloquei no mundo para ser feliz. Eu te amo e te aceito exatamente como você é. Estarei sempre com você.”
V. estava ao meu lado, me abraçou, me deu um beijo em minha testa e disse: “Eu sempre soube disso mas você estava tão vendado pelo desespero de sua fé que eu não conseguia brecha para te avisar. Te acompanhei porque em minha orações Deus me falou para te amparar e apoiar. Fique tranquilo, pois eu nunca me iludi com relação a nós.”
Ali eu rompi em definitivo com a Exodus e com essa tentativa estúpida de “cura”.
Mas ainda continuei na Igreja por causa do Coral. Porém não frequentava os cultos com a mesma assiduidade e, quando ia, ficava do lado de fora da igreja conversando com amigos, cristãos verdadeiros. Mas isso não durou muito tempo, apenas mais uns 2 ou 3 meses.
De certo modo comecei a observar quantos homens e mulheres homossexuais tem lá dentro. Muitos mesmo. Vários casados, a familia perfeita aos olhos da igreja, porém, percebia-se em seus olhares o tesao recalcado. Em alguns homens que chegavam perto de mim para conversar sentia aquele cheiro delicioso masculino que o corpo exala nos momentos de tesao. Muitos jovens que eu percebia que só estavam ali por imposição dos pais entre tantas outras coisas.
Bom, durante todo este período conheci vários gays que estavam na mesma situação que a minha. Desesperados, desamparados, rejeitados pelas suas famílias, pela sociedade, sofrendo e passando pelas mesmas coisas que eu estava passando. Ouvi relatos e histórias de vidas pregressas que chocariam até o mais abusado e promíscuo ser humano.
Com tudo isso, chego à conclusão de que sim, Deus enviou um anjo (V.) para cuidar de mim, me amparar durante todo este processo. Depois me presenteou com um companheiro lindo. Um homem digno, íntegro, ético, religioso, carinhoso, atencioso. Depois de um deserto infernal em minha vida, voltei a gozar a plenitude do amor, a vida e claro, literalmente falando.
Muitos daqueles que conheci na ápoca da Exodus se afastaram e voltaram para a sua vida anterior – ou “caíram” como dizem na igreja. Alguns mantiveram a sua fé, a sua religiosidade. Outros, a negaram por completo em revolta por toda a opressão que sofreram enquanto fizeram parte dos seus ministérios.
Não posso tacar pedras na Exodus irresponsavelmente. Tem seus erros e abusos? Tem sim e estes merecem tais pedradas para serem desmascarados. Mas um detalhe eu respeito muito: a verdadeira reaproximação com Deus que ela promove – ao menos no meu caso. Eu?
Vivo tendo de – tentar – explicar o inexplicável para aqueles que não passaram por isso tudo e por isso só, não conseguem entender: que eu sou sim um gay que professa uma fé protestante. Que vivo em plena paz comigo mesmo e, principalmente, tenho uma linda relação com Deus. Não oro (ou rezo) mais e tampouco frequento templos, mas sempre o louvo cantando, seja na alegria ou na dor.
Aos irmãos em Cristo só digo uma coisa: não orem nunca mais – para ninguém – por este tipo de cura. Orem sim para que Deus os faça pessoas felizes, realizadas e capaz de amar ao próximo assim como Jesus o fez. Orem para que Deus apazigue seus corações e mentes ao ponto em que consigam ouvir a voz d’Ele. Nada além disso.
Não permitam, jamais, que pastores – ou alguém – façam outras pessoas passar por tudo isso que passei.
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TESTEMUNHO DO LEITOR,
Testemunhos,
Tratamentos de Reversão
sábado, 14 de maio de 2011
Especial Hillsong Church
Escândalos e Mentiras dos movimentos de Reversão Sexual na Austrália.
Referência no louvor contemporâneo, influenciando ministérios de louvor em todo o mundo e no Brasil alguns como Diante do Trono e Aline Barros a Hillsong Church, a mais poderosa da Associação Australiana das Assembleias de Deus, famosa por canções como Shout to the Lord (Aclame ao Senhor), é acusada de ter se transformado em um dos maiores impérios financeiro-religiosos do mundo.
As denúncias de abusos e escândalos parecem não ter fim. A começar pela administração daquilo que o ministério fatura. Se por aqui há um tremendo clamor por causa de irregularidades com alguns milhares de dólares, imagine lá, onde o Hillsong Church declara ter faturado no ano passado mais de US$ 70 milhões, mas usado apenas 2 milhões para os trabalhos sociais, "principal destinação de suas entradas".
Um resumo desses escândalos financeiros foi feito nesse vídeo no you tube
Em 2008, o Hillsong ministério de louvor convidou o pastor Michael Guglielmucci, pastor de jovens da Igreja Planet Shakers, para participar da gravação de seu álbum This is Our God (Este é o Nosso Deus). Guglielmucci dizia sofrer de câncer terminal desde 2006 e causou enorme comoção ao aparecer cantando a música The Healer (Aquele que Cura) com um tubo de oxigênio no nariz. Em seguida, porém, não aguentando uma crise de consciência, ele revelou a verdade: “Não tenho nenhum câncer. Forjei a história e enganei até minha esposa e família para encobrir minha verdadeira doença: sou viciado em pornografia. Esse problema, sim, abalou minha saúde e me debilitou emocionalmente”. Caso semelhante também aconteceu aqui no Brasil com o ex ministro de louvor Davi Silva (do ministério Casa de Davi) que ficou famoso ao contar em um congresso da Igreja Batista da Lagoinha que teria sido curado da Síndrome de Down. Ano passado Davi Silva veio a público dizer que não nasceu com Síndrome de Down e que todas as manifestações de um suposto anjo lhe tocando durante suas ministrações com o pastor Mike Shea eram mentiras.Mas não são esses escândalos que vamos focar nesse post, mas os escândalos envolvendo a "Cura de Homossexuais".
Frank Houston
Talvez o maior escândalo nessa área seja o que envolveu o nome do fundador da Hillsong Church.
Frank Houston é pai do atual pastor da Hillsong Austrália, Brian Houston e deixou todos os cargos da igreja após ter sido revelado que abusava sexualmente de meninos menores de idade que participavam dos programas que prometiam curar gays de sua igreja.
Ele usava o abuso sexual como uma de suas técnicas de converter gays, segundo Peter Laughton uma de suas vítimas.
"Minhas sessões de aconselhamento... nada mais eram do que o abuso sexual disfarçado sob a forma da necessidade de amor de um pai e disciplina ", disse Peter.
"Através de minha ingenuidade, eu suportei as agressões nuas, as eternas carícias no bumbum e as masturbações com garrafas, entre outras coisas. Eu olho para ele agora e penso, Deus, eu era muito ingênuo para cair nessa. "
O pai de Brian, o ex-ministro Frank Houston, confessou ser um pedófilo. Descobrir que seu pai tinha abusado de uma criança segundo Brian foi "como os jatos voando em direção às torres gêmeas da minha alma ". Tratava-se, compreensivelmente, uma das mais difíceis questões que ele já teve de lidar. "Basicamente, eu recebi uma reclamação, por isso eu confrontei o meu pai e ele admitiu ." Brian retirou seu pai de todas as funções na igreja, mas não do contato com a polícia na Nova Zelândia, porque a vítima tinha idade suficiente para fazer isso mesmo, entrega-lo a polícia.
Brian disse que foi sincero com a sua congregação, embora tenha sido criticado por não agir rápido o suficiente e por ter tentado abafar o escândalo.
"Eu disse a nossa igreja que tinha acontecido (vários meses depois que ele descobriu), mas logo que descobri eu disse aos presbíteros da igreja e das Assembleias de Deus ", disse Houston. "Para minha congregação, quando eu lhes disse, eu usei palavras como predador e abuso sexual e assim por diante. Eu não tentei escondê-lo ." É uma questão que parece improvável que vá ser esquecida, e Brian sabe que, uma vez que que a alegação inicial foi tornada pública, outras supostas vítimas se apresentariam. E foi o que aconteceu, outra suposta vítima de seu pai, também do sexo masculino, não ficou satisfeita com o tratamento que recebeu por parte da igreja e está considerando uma ação civil.
"Eu disse a nossa igreja que tinha acontecido (vários meses depois que ele descobriu), mas logo que descobri eu disse aos presbíteros da igreja e das Assembleias de Deus ", disse Houston. "Para minha congregação, quando eu lhes disse, eu usei palavras como predador e abuso sexual e assim por diante. Eu não tentei escondê-lo ." É uma questão que parece improvável que vá ser esquecida, e Brian sabe que, uma vez que que a alegação inicial foi tornada pública, outras supostas vítimas se apresentariam. E foi o que aconteceu, outra suposta vítima de seu pai, também do sexo masculino, não ficou satisfeita com o tratamento que recebeu por parte da igreja e está considerando uma ação civil.
Anthony Venn Brown
Venn Brown foi missionário, fundou diversas Assembleias de Deus pelo mundo antes de ir para Sydney com a família no início de 1980 e criar o "Every Believer Evangelism." Venn-Brown tornou-se um pregador popular em todas as principais igrejas da Assembleia de Deus na Austrália , incluindo a Hillsong Church.
Em 1990 ele se tornou o primeiro pentecostal a ser nomeado para o "Comitê de Lausanne Pelo Evangelismo Mundial" na Austrália .
Venn-Brown renunciou ao cargo de ministro em 1991, depois que assumiu ter dito um relacionamento com outro homem. Em 2004 ele publicou sua auto biografia, "A Life of Unlearning - Coming out of the church, One Man's Struggle." O livro detalhou sua luta para conciliar a sua homossexualidade com suas convicções cristãs. Ele venceu o "Sydney Gay and Lesbian Business Association Literary award" em 2004.
A edição revista, "A Life of Unlearning - a Journey to Find the Truth (Uma Vida de Esquecimento - uma jornada para encontrar a verdade) " foi publicado em 2007.
Preferindo ser conhecido como um embaixador, em vez de ativista gay, Venn-Brown agora é um representante e defensor dos gays e lésbicas. Ele busca criar um diálogo informado, inteligente mas respeitoso sobre as questões da homossexualidade dentro da comunidade cristã e, particularmente pentecostal.
Anthony não sente que ele vai voltar a pregar, segundo ele, "talvez daqui 30 anos alguém que é gay ou lésbica seja permitido ministrar nas Assembléias de Deus. Espero eu estar lá para ver, mas eu sinto que eu tive o meu ministério. Quando voltei a Deus eu me senti como se eu tivesse a essência do que se tratava. O que eu tenho agora é real. Eu aprendi a viver sem julgamentos, para viver com integridade e não tive isso como um pregador "
Anthony Venn-Brown foi votado como um dos 25 gays e lésbicas australianos mais influentes em 2007 e 2009 e foi um dos oradores do "Evangelical Network Conference", no Arizona.
Anthony fundou o Freedom 2b um site que auxilia Gays cristãos a se aceitarem e manterem sua fé, como o próprio site se descreve:
"Freedom 2b é uma rede LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) de pessoas pentecostais, carismáticas e de origens evangélicas.
Freedom 2b é um não-julgamento, sem nenhuma agenda local (tratamentos de reversão), estege seguro que atende pessoas em seu caminho para a reconciliação de sua fé e/ou sua sexualidade.
Tradicionalmente pentecostais, carismáticos e grupos evangélicos têm sido mal informados sobre a orientação sexual e mantido crenças ultrapassadas sobre a homossexualidade. Esta falta de conhecimento tem causado muito sofrimento desnecessário, não só para as pessoas LGBT, mas também sua família e amigos. Posições anti-gay não tem refletido o exemplo de Jesus Cristo, ou como a igreja cristã deve responder. Ao invés de igrejas demonstrando amor e aceitação, as pessoas LGBT, na sua maioria com experiência de julgamento, condenação e rejeição.
O termo "cristão homossexual" é relativamente novo, mas agora há muitos milhares de indivíduos, líderes de igrejas e congregações inteiras que vieram para uma compreensão mais esclarecida da sexualidade. A investigação científica e um profundo olhar para as escrituras tem ajudado as pessoas perceberem que homossexualidade não é uma doença para ser curada ou um pecado a ser perdoado. Muitos têm resolvido o problema da sua orientação sexual e mantiveram sua fé cristã. Outros resolveram sua sexualidade, mas ainda tem problemas de fé para resolver. Fredom 2b acolhe todos.
Se você deixou a igreja ou ainda estão lá, a Fredom 2b é o seu lugar para contato, informações, encontrar apoio e diálogo com pessoas que entendem sua jornada.
Fredom 2b não é uma organização cristã, como tal, mas uma rede de pessoas de origens semelhantes."
Anthony conta sua história nessa entrevista:
(Veja as outras partes da entrevista nos relacionados)
Mercy Ministries
A Mercy Ministries é uma "casa de recuperação" para lésbicas mantida pela Hillsong Church. Eles insistem que as organizações são totalmente independentes, apesar de compartilharem membros em comum do conselho e diretores. Inclusive Mark e Darlene Zschech,já foram diretores do Mercy.
Muitas lésbicas vem denunciando os abusos que sofreram enquato estavam "internadas" e se assumindo agora "ex-ex gays".
Muitas lésbicas vem denunciando os abusos que sofreram enquato estavam "internadas" e se assumindo agora "ex-ex gays".
Ex-moradoras afirmam que "os contratos de separação, a proibição de contato físico e os ensinamentos de como ser um "ex-gays " são tentativas do Mercy Ministery para acabar com o lesbianismo em seu rebanho ", relata Ruth Pollard. Outra antiga moradora, que não quis ser identificada, disse: "As meninas foram solicitados no formulário de inscrição, bem como em uma entrevista por telefone, se elas já tiveram relações homossexuais ou bissexuais, eles perguntaram se eu tinha.
Na casa, as moradoras foram impedidas de ter qualquer tipo de contato físico, sem abraços de conforto, sem ombro para chorar, e apesar de existirem três jovens mulheres para cada quarto, elas não foram autorizadas a trocar de roupa, se outra pessoa estava no quarto, disse ela.
Apesar disso tudo o Mercy Ministries nega que executa um programa "ex-gay" e a Hillsong parou de funcionar o seu programa "ex-gay" para homens, chamado Living Waters, apesar de ambas as organizações permaneçam firmemente conservadoras, anti-aborto e anti-gay. Atualmente a Mercy Ministery mudou o nome para A Girl Called Hope.
Na casa, as moradoras foram impedidas de ter qualquer tipo de contato físico, sem abraços de conforto, sem ombro para chorar, e apesar de existirem três jovens mulheres para cada quarto, elas não foram autorizadas a trocar de roupa, se outra pessoa estava no quarto, disse ela.
Apesar disso tudo o Mercy Ministries nega que executa um programa "ex-gay" e a Hillsong parou de funcionar o seu programa "ex-gay" para homens, chamado Living Waters, apesar de ambas as organizações permaneçam firmemente conservadoras, anti-aborto e anti-gay. Atualmente a Mercy Ministery mudou o nome para A Girl Called Hope.
A verdade é que tanto o Mercy Ministries (A Girl Called Hope), o Living Waters, a Exodus Internacional ou outros programas simlilares no Brasil tem negado promover "tratamentos de reversão" por causa da ilegalidade da prática, condenável até pela OMC e no caso do Brasil pela Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia. Mas na prática eles continuam desenvolvendo seus "tratamentos de Cura".
Penny Davis
Uma das grandes defensoras de que o Mercy Ministries não funciona é Penny Davis, ex funcionária da Hillsong Church ela passou pelo tratamento de reversão da casa de recuperação, mas não conseguiu "se curar." Minha jornada levou a este momento, onde estou como uma mulher confiante de que está sendo ordenada e passar a ser uma lésbica ", disse ela ao Sydney Star Observer ao ser ordenada pastora na Igreja da Comunidade Metropolitana, uma igreja inclusiva que atua em mais de 20 países desde 1969. Um vídeo no Youtube mostra algumas denúncias de meninas ex internas do Mercy Ministries.
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terça-feira, 19 de abril de 2011
Famosos Ex Heteros: Wayne Besen
Wayne Besen é um americano, gay e advogado. Ele é um ex- porta-voz da Human Rights Campaign (uma das maiores organizações LGBT dos EUA) e fundador da Truth Wins Out. Wayne Besen, passou oito anos ocupando um cargo de liderança na organização de ex-gays, Exodus International, é um dos mais notáveis exemplos de uma pessoa ex-ex-gay e quando saiu da Exodus se tornou um militante contra tratamentos de reversão.
Fundou a Truth Wins Out, organização que se dedica a combater as mentiras das terapias de reversão.
Besen diz que já entrevistou centenas de antigos e atuais "ex-gays" e fundou a Truth Wins Out (a verdade triunfa) em 07 de junho de 2006 como uma resposta ao crescente número de ministérios e igrejas que acreditam que a homossexualidade é uma condição que é mutável.
A premissa por trás de alguns dos que professam esta crença é de que a homossexualidade é um padrão de comportamento pecaminoso. O objetivo destes é usar o balcão de informações apresentados por ex-ativistas gays e encorajar as pessoas a acreditar que os homossexuais podem mudar. Mais tarde, ele lançou o Respect My Research, para documentar o que ele vê como as distorções da ciência, particularmente pela ong Focus on the Family.
O site Respect My Research desmente todas as distorções que os movimentos de Terapias de Reversão fazem ao usar pesquisas cientificas para embassar suas idéias.
O site coloca as reais motivações e resuldados de cada pesquisa e abre um espaço para que os cientistas denúnciem o mau uso de suas obras.
| Paulk saindo do bar |
Sr. Paulk disse que ele entrou lá apenas para usar o banheiro, mas Besen e outras testemunhas alegam que ele estava bebendo e flertando por mais de 40 minutos. Besen veio a público com a história, e escreveu sobre isso em seu livro Anything But Straight: Unmasking the Scandals and Lies Behind the Ex-Gay Myth ( Desvendando Os Escândalos e Mentiras Atrás do Mito Ex-Gay) . O livro foi indicado a dois Lambda Literary Awards em 2003.
| Paulk na Newsweek antes do escandalo |
A fotografia de Paulk (e posterior liberação da história) foi fundamental para a eliminação definitiva da Paulk como Presidente da Exodus International , uma organização importante no "movimento de ex-gay". Como observou o Washington Post em outubro de 2002: John Paulk tinha sido a história de sucesso mais bem sucedida do movimento de cristãos ex-gays, que visa persuadir os homens gays e as lésbicas para aceitar Jesus e renunciar à homossexualidade. Ele apareceu no programa 60 minutos da Oprah e foi capa da Newsweek .
Wayne Besen é mais conhecido por pisar fora do ambiente acadêmico e da mídia para provar que os ex-gays não são quem eles alegam ser. Besen tem um histórico sem precedentes de expor ministérios ex-gays como uma farsa e tem um "curriculum" de sucesso demonstrado a seguir:
- Em uma investigação com a "South Florida Gay News", em 2010, ele flagrou Arthur Jonah Goldberg com um artista da Wall Street com que ele cumpriu pena na prisão por roubar milhões de dólares.
- Fotografou John Paulk (então presidente da Exodus) em um bar gay em 19 de setembro de 2000. Antes de sua queda, Paulk tinha sido capa da Newsweek, 60 Minutes, Good Morning América e Oprah.
- Ajudou o reverendo Jerry Falwell a descobrir que o líder da "personal HIV + ex-gay", Michael Johnston, procurava homens na internet para manter relações sexuais inseguras. Johnston também trabalhou com a American Family Association and Coral Ridge Ministries. Ele foi forçado a demitir-se e entra em uma instalação de viciados em sexo no Kentucky.
- Ajudou a orquestrar a saída pública do armário do "ex-gay" e garoto de propaganda Wade Richards, que estava trabalhando com a "Right Wing Activist" Peter LaBarbera, "Love In Action "e "Saviors Alliance for Lifting the Truth (SALT)".
- Revelou que o presidente da Parents and Friends of Ex-Gays and Gays (PFOX), o terapeuta para ex gays Richard Cohen, tinha sido expulso da American Counseling Association.
- Palestrou em mais de 100 universidades, igrejas, empresas, grupos e organizações da comunidade sobre este tema, incluindo a Universidade de Vermont, Harvard Law School, Arizona State University, University of Connecticut, e na Universidade da Flórida.
*Ex Hetero: São homossexuais ou Bissexuais que em algum momento de suas vidas tiveram que se comportar como heteros por causa da religião, mas depois voltaram atrás e reconheceram e se assumiram como realmente são. O termo surgiu de forma irônica para satirizar o termo "ex gay", se existe ex gay, tb existem ex heteros, certo?
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quinta-feira, 24 de março de 2011
Itunes bloqueia aplicativo da Exodus que prometia curar gays.
A Apple retirou nesta quarta-feira (23) um aplicativo para iPhone que prometia "curar os gays" de sua loja online. Segundo o site Mashable.com, as ONGs Change.org e Truth Wins Out pediram para que a Apple retirasse o aplicativo enviando-lhe uma petição com 146.000 assinaturas.
A empresa que criou o aplicativo, a Exodus International definia o produto como "um app que oferece suporte para indivíduos que querem se recuperar da homossexualidade", por meio de conversas terapêuticas. Antes de ser retirado, o app havia sido classificado pela Apple com a nota de + 4, o que significa que "não contém material repreensível". O app era oferecido em um link no iTunes.
"A Apple fez uma decisão sábia e responsável ao retirar um aplicativo ofensivo, que demonizava os gays e lésbicas". Esta não foi a primeira vez que a Apple bloqueou um aplicativo ofensivo à comunidade homossexual. No passado, eles retiraram um app Anti-gay, após receberem uma petição com sete mil assinaturas. A retirada do aplicativo teve repercussão na mídia internacional, com matérias no The Guardian, Washington Post, Baltimore Sun e Fox News, destacou o site da ONG Change.org. Fonte
A empresa que criou o aplicativo, a Exodus International definia o produto como "um app que oferece suporte para indivíduos que querem se recuperar da homossexualidade", por meio de conversas terapêuticas. Antes de ser retirado, o app havia sido classificado pela Apple com a nota de + 4, o que significa que "não contém material repreensível". O app era oferecido em um link no iTunes.
"A Apple fez uma decisão sábia e responsável ao retirar um aplicativo ofensivo, que demonizava os gays e lésbicas". Esta não foi a primeira vez que a Apple bloqueou um aplicativo ofensivo à comunidade homossexual. No passado, eles retiraram um app Anti-gay, após receberem uma petição com sete mil assinaturas. A retirada do aplicativo teve repercussão na mídia internacional, com matérias no The Guardian, Washington Post, Baltimore Sun e Fox News, destacou o site da ONG Change.org. Fonte
Ainda bem que a apple foi sensata em retirar esse aplicativo do ar e que bom que a militância LGBT americana foi rápida em enviar tamanho abaixo assinado à empresa.
Aqui no Brasil precisamos ser mais atentos e combativos e defender melhor nossos direitos, na aba Denúncie, aqui do blog você tem informações de como fazer denúncias junto a ABGLT e aos Conselhos Regionais de Psicologia caso descubra algum abuso relacionado a terapias sexuais de reversão.
Aqui no Brasil precisamos ser mais atentos e combativos e defender melhor nossos direitos, na aba Denúncie, aqui do blog você tem informações de como fazer denúncias junto a ABGLT e aos Conselhos Regionais de Psicologia caso descubra algum abuso relacionado a terapias sexuais de reversão.
Lembrando que essas terapia são condenadas pelo CRP e o psicólogo que infringir a resolução 01/99 pode ter o registro cassado.
Portando se você tiver conhecimento de algum amigo gay que está "se tratando" com algum psicólogo para se tornar hetero. DENUNCIEM!!!!
terça-feira, 22 de março de 2011
Rede Globo vai abordar tema Ex Gay na minisérie Macho Man.
A história de "Macho Man", seriado da Globo com estreia prevista para abril, tem o diretor e ator Jorge Fernando no papel do cabeleireiro homossexual Nelson, mais conhecido como Zuzu, e que após sofrer um acidente passa a se interessar por mulheres.
"Procuramos sair de tudo o que já havia sido explorado. Se fala de homem que vira gay, rico que vira pobre, homem que vira mulher, mulher que vira homem, mas ainda não havia se falado de um gay que vira hétero. Um seriado vive de grandes personagens e as pessoas se identificam. Todos nós já fomos ex-alguma coisa pelo menos uma vez na vida", explica o escritor Alexandre Machado, que assina o seriado ao lado da mulher e também escritora, Fernada Young. "Fazer as pessoas refletirem sobre determinado assunto através do riso, para nós é muito interessante. E eu tenho como ideologia fazer para a sociedade coisas que passem uma ideia bacana, que colaborem para termos um mundo melhor", avalia Fernanda, após ser questionada sobre os motivos que a levaram escrever sobre um ex-gay. Fonte
Muita gente comemora quando a globo coloca algum personagem gay em suas tramas, eu sempre fico com o pé atrás. Geralmente a globo só contribui para reforçar os equívocos que nossos pais têm a respeito da homossexualidade ou reforçar estereótipos. O maior desses equívocos é a possibilidade de um gay, de uma hora para outra se tornar hetero. Como se de fato a sexualidade fosse uma opção.
Isso já aconteceu em diversas tramas da emissora, gays que começaram gays mas que pela rejeição do público acabam se apaixonando por garotas no decorrer da história, como o Cássio, de "Caras & Bocas" e o Orlandinho de "A Favorita" e até com Serginho e Fernanda do BBB10 (risos).
Dessa vez a globo resolveu contar a história de um ex gay. Pelo menos o personagem "vira hetero" depois de sofrer um acidente e perder a memória, ainda bem que não será através de alguma terapia de reversão, ufa! Mas ainda assim esse tipo de história reforça no imaginário hetero que somos gays por safadeza, porque queremos ser e que podemos de uma hora pra outra virarmos heteros.
Espero que em "Macho Man" o personagem de Jorge Fernando mostre ao Brasil que de fato EX GAY não existe, é esperar para ver o desenrolar da história e ver o que virá por ai.
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