terça-feira, 15 de março de 2011

ESPECIAL BORN THIS WAY

"Criança oprimida, exalte sua verdade
Na religião da insegurança
Devo ser eu mesmo, respeitar minha juventude
Um amor diferente não é um pecado
Acredite N-E-L-E
Eu sou lindo à minha maneira
Pois Deus não comete erros
Estou no caminho certo,
Eu Nasci assim."




Hoje a nossa Dica Musical é mais do que especial, lançado no mês passado, o novo single da cantora Lady Gaga foi chamado de "o novo hino gay" por Elton John. Born This Way é uma música importante sobretudo para militância gay religiosa por que reafirma o que todo fundamentalista religioso adora refutar, o fato de sermos o que somos desde pequenos. A letra bate de frente com a religião e nas entrelinha a desmente dizendo: "você não está errado ou em pecado como seu padre/pastor te disse, você nasceu assim."
E enquanto a comunidade científica ainda não prova por A mais B essas teorias, um blog na internet lançado no inicio do ano vem fazendo muito sucesso.

Com mais de 2 milhões de acessos e com o titulo homônimo ao single da Lady Gaga o blog Born This Way recebe diariamente depoimentos reais de seus próprios leitores que contam através de fotos de sua infância como se descobriram homossexuais desde cedo.


A minha história não foi muito diferente destas que estão no blog citado, não vou por foto aqui e nem enviar pra lá, mas eu posso dizer que lembro da primeira vez que tive uma ereção. Eu tinha por volta dos 7 anos de idade, estava na segunda série do então ensino fundamental e já sentia uma certa admiração pelos meninos. No entanto não fazia idéia do que seria aquela atração. Uma vez durante o recreio brincando de pic esconde eu e mais um grupo de colegas fomos nos esconder atrás de uma casinha que tinha no parquinho da escola e que ficava encostada na parede, de forma que fazia um vão onde podíamos nos esconder. Enquanto não nos achavam, meu colega Rafael (lembro o nome dele até hoje) simulou estar fazendo sexo com a casinha, se esfregando na parede. Eu nem sabia o que era sexo, mas fiquei excitado pela primeira vez ao ver a cena, foi quando sai correndo pra sala de aula sentei e coloquei a mochila no colo pra esconder, morrendo de vergonha. Não tenho certeza se fiquei com tesão pela situação ou se o fato de eu já admira-lo contribuiu para isso. A partir de então minha admiração por meninos só foi aumentando, sempre quando via alguma revista de lingerie não eram as garotas de calcinha e sutiã que me chamavam atenção e muito menos quando eu ia a praia, mais sim os rapazes de sunga. Não fui abusado por ninguém, não senti que minha mãe me superprotegeu na infância e muito menos que meu pai tenha sido ausente. Nenhuma dessas causas diagnosticadas geralmente por religiosos para justificar a homossexualidade de alguém se encaixam na minha situação e por isso eu acredito que I was born this way.

Para embasar tudo isso, essa semana pipocou na net um vídeo de um menininho travestido fazendo uma performance na frente da câmera. Não que todo gay seja afeminado desde a infância, na verdade os gays não afeminados muitas das vezes brincaram de carrinho (como meu caso) e não de boneca na infância. Mas através dos afeminados podemos perceber o quanto precoce aparece a identidade sexual de cada homo/bissexual, mesmo que nem sempre isso seja tão perceptível, como no caso dos "discretos".



Abaixo segue a música com a letra original e traduzida.



Born This Way                  

 

It doesn't matter if you love him, or capital H-I-M
Just put your paws up
'Cause you were born this way, baby

My mama told me when I was young
We are all born superstars
She rolled my hair and put my lipstick on
In the glass of her boudoir

"There's nothing wrong with lovin' who you are"
She said, "'Cause he made you perfect, babe"
"So hold your head up girl and you'll go far,
Listen to me when I say"

I'm beautiful in my way
'Cause God makes no mistakes
I'm on the right track baby
I was born this way

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby
I was born this way

Ooo there ain't no other way
Baby I was born this way
Baby I was born this way

Ooo there ain’t no other way
Baby I was born this way
I'm on the right track baby
I was born this way

Don't be a drag – just be a queen
Don't be a drag – just be a queen
Don't be a drag – just be a queen
Don't be!

Give yourself prudence
And love your friends
Subway kid, rejoice your truth

In the religion of the insecure
I must be myself, respect my youth

A different lover is not a sin
Believe capital H-I-M (hey hey hey)
I love my life I love this record and
Mi amore vole fe yah (love needs faith)

I'm beautiful in my way
'Cause God makes no mistakes
I'm on the right track baby
I was born this way

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby
I was born this way

Ooo there ain't no other way
Baby I was born this way
Baby I was born this way

Ooo there ain’t no other way
Baby I was born this way
I'm on the right track baby
I was born this way

Don't be a drag, just be a queen
Whether you're broke or evergreen
You're black, white, beige, chola descent
You're lebanese, you're orient

Whether life's disabilities
Left you outcast, bullied, or teased
Rejoice and love yourself today
'Cause baby you were born this way

No matter gay, straight, or bi
Lesbian, transgendered life
I'm on the right track baby
I was born to survive

No matter black, white or beige
Chola or orient made
I'm on the right track baby
I was born to be brave

I'm beautiful in my way
'Cause God makes no mistakes
I'm on the right track baby
I was born this way

Don't hide yourself in regret
Just love yourself and you're set
I'm on the right track baby
I was born this way

Ooo there ain’t no other way
Baby I was born this way
Baby I was born this way

Ooo there ain’t no other way
Baby I was born this way
I'm on the right track baby
I was born this way

I was born this way hey!
I was born this way hey!
I'm on the right track baby
I was born this way hey!

I was born this way hey!
I was born this way hey!
I'm on the right track baby
I was born this way hey!

Nasci Assim


Não importa se você o ama, ou O ama

Apenas levante as mãos

Pois você nasceu assim, baby



Minha mãe me dizia, quando eu era jovem

Que nós nascemos como super estrelas

Ela arrumava meu cabelo e me passava batom

No espelho de seu vestiário



"Não há nada de errado em amar quem você é"

Ela dizia, "Pois ele te fez perfeita, querida"

"Então erga sua cabeça garota e você irá longe,

Ouça-me quando eu digo"



Eu sou linda à minha maneira

Pois Deus não comete erros

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Não se cubra de arrependimentos

Apenas ame-se e você estará bem

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Ooo, não há outro jeito

Baby, eu nasci assim

Baby, eu nasci assim



Ooo, não há nada que eu possa fazer

Baby, eu nasci assim

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Não seja uma drag, seja simplesmente uma rainha

Não seja uma drag, seja simplesmente uma rainha

Não seja uma drag, seja simplesmente uma rainha

Não seja!



Seja prudente

E ame seus amigos

Criança oprimida, exalte sua verdade



Na religião da insegurança

Devo ser eu mesma, respeitar minha juventude



Um amor diferente não é um pecado

Acredite N-E-L-E (hey hey hey)

Eu amo minha vida e amo esse álbum e

Meu amor precisa de fé (amor precisa de fé)



Eu sou linda à minha maneira

Pois Deus não comete erros

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Não se cubra de arrependimentos

Apenas ame-se e você estará bem

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Ooo, não há outro jeito

Baby, eu nasci assim

Baby, eu nasci assim



Ooo, não há nada que eu possa fazer

Baby, eu nasci assim

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Não resista, seja simplesmente uma rainha

Sendo rico ou pobre

Sendo preto, branco, pardo ou albino

Sendo libanês ou oriental



Se a vida trouxe dificuldades

Te deixaram afastado, assediado ou importunado

Exalte e ame-se hoje

Pois você nasceu assim, baby



Não importa se você é gay, hétero ou bi

Lésbica ou transexual

Estou no caminho certo

Nasci para sobreviver



Não importa se é preto, branco ou pardo

Albino ou oriental

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci para ser corajoso



Eu sou linda à minha maneira

Pois Deus não comete erros

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Não se cubra de arrependimentos

Apenas ame-se e você estará bem

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Ooo, não há outro jeito

Baby, eu nasci assim

Baby, eu nasci assim



Ooo, não há nada que eu possa fazer

Baby, eu nasci assim

Estou no caminho certo, baby

Eu nasci assim



Nasci assim, hey!

Nasci assim, hey!

Estou no caminho certo, baby

Nasci assim, hey!



Nasci assim, hey!

Nasci assim, hey!

Estou no caminho certo, baby

Nasci assim, hey!

terça-feira, 8 de março de 2011

Mitos Religiosos Sobre a Sexualidade: O Uso Natural.

Sexo anal hetero no casamento: Natural. 
Sexo anal hetero fora do casamento ou homo: Antinatural.




Eu fui evangélico por 20 anos, e nessa trajetória toda, desde a infância participei de alguns cultos e encontros para casais. Apesar de ser pré adolescente e não poder participar, as vezes meus pais tinham que me levar e eu acabava assistindo sentado lá atrás, pois nem sempre gostava de ir pra "salinha". 
Em vários destes encontros prestei atenção nas pregações e em muitas delas eram abertas para a platéia fazer perguntas a terapeutas sexuais cristãos e pastores de casais.
Por algumas vezes ouvi falar sobre o sexo anal entra o casal e dentro do casamento, sempre surgia a questão de ser pecado ou não.
Como eu sempre freqüentei igrejas neo pentecostais mais liberais a resposta era sempre a mesma. O sexo anal é permitido dentro do casamento hetero se a esposa consentir e isso não é pecado.
Para embasar tal argumento é usado o texto de 1° coríntios 7:3-5 : 

"O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher.
Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência"


Esse ponto de vista é defendido por pastores como Silas Malafaia, como pode ser visto nessa pregação dele:



É comum ouvir o argumento de pastores menos cultos, esses que abrem igreja como são abertos botequins na esquina das periferias, afirmando que o antinatural é o sexo anal, pois o ânus foi feito para A e não para B.
Mas para os pastores mais cultos, neo pentecostais, o antinatural é apenas a relação entre os mesmos sexos e isso não tem conotação nenhum com a intimidade sexual seja ela qual for, anal, oral ou vaginal.
O que é meio contraditório chamar de antinatural uma relação anal pelo simples fato dela ser feita por iguais e de natural se ela for feita entre heterossexuais casados.
Natural dentro da doutrina religiosa, principalmente a católica, seria manter as funções "normais" para qual cada órgão do corpo humano foi "criado por deus" para exercer.
No entanto do ponto de vista científico não é possível afirmar que algo foi definido naturalmente para isso ou para aquilo.
Esse pensamento vai contra uma das principais teorias científicas, a Teoria da Evolução (que inclusive já foi reconhecida pela igreja católica).

Segundo esta teoria, o natural é definido pela adaptação das espécies ao meio em que vivem para sua sobrevivência, portanto o que hoje "é natural" pode deixar de ser, e é isso que faz uma uma espécie evoluir, perder suas características naturais e se adaptar as novas condições. Por exemplo, alguns peixes que naturalmente possuíam nadadeiras, começaram a evoluir e adquirir patas e isso foi responsável pela migração da vida marinha para o continente e que culminou com o surgimento dos mamíferos. Portanto afirmar que os pés foram feitos SOMENTE para andar não tem nenhuma consistência científica uma vez que essa função pode ser mudada com o tempo. Ou seja, para a natureza, não existe um padrão que defina que um órgão foi feito exclusivamente para determinada função.
Partindo do ponto de vista que alguns teólogos já começam a tentar conciliar evolucionismo e criacionismo poderíamos então começar a parar de levantar as bandeira do anti natural.
O texto bíblico que condena a homossexualidade como algo anti natural foi escrito em um contexto histórico cultural em que o sexo não era permitido, religiosamente falando, como objeto de prazer (principalmente para as mulheres) mas somente de procriação.
Ou seja, como 2 homens ou 2 mulheres não podem naturalmente (não existia fertilização em vitro na época, sic) gerar filhos então a homossexualidade foi condenada.
Hoje estamos em um outro contexto histórico cultural onde o sexo já deixou de ser SOMENTE para procriação e onde, principalmente a mulher, já tem adquirido sua liberdade sexual.
A igreja ainda tenta manter esse conceito de pé, mas isso só funciona na teoria. Mesmo quem é católico, onde a pilula e a camisinha não são permitidos, não seguem essa doutrina a risca. E a grande maioria das noivas evangélicas/católicas não casam mais virgens, apesar de fingirem, tanto elas quanto seus pais e pastores/padres que ainda são.
Eu algum momento não muito distante a igreja precisará deixar de fingir que não vê essas atitudes e precisará reconhecer essas mudanças oficialmente. A partir desse momento, um novo diálogo também sobre as relações homossexuais deverá ser aberto e os conceitos que a impede ( incluindo a relação sexual para procriação ) não existirá mais.

sábado, 5 de março de 2011

Testemunho: David Christie

Apartir de hoje vou postar as versões traduzidas dos testemunhos do site Beyond Ex Gay  (Que na tradução literal seria algo como: "Além das terapias ex gay"). Um blog americano que como o nosso refuta os tratamentos religiosos de reversão sexual. Hoje começaremos com o Christie que sobreviveu aos "tratamentos" da Exodus Internacional.

David Christie


 

Imagem de David ChristieMeu nome é David Christie, e eu sou um sobrevivente de terapias para ex-gays. Ainda na minha adolescência, eu comecei a procurar ajuda para o que eu tinha sido levado a acreditar que era uma condição anormal e pecaminosa. Dos 15 aos 28 anos, ou seja, durante 13 anos, eu estive quase sempre envolvido em alguma forma de aconselhamento ou terapia destinados a frustrar a minha orientação homossexual. Nunca aceitando que uma identidade homossexual era uma opção, e acreditando que eu acabaria por ser capaz de gerir ou mesmo superar os meus desejos homossexuais, eu me casei com 21 anos de idade. Ao que se desfez dois anos e meio mais tarde por causa das minhas indiscrições sexuais, tornei-me profundamente comprometido a livrar-me da homossexualidade. Tanto assim, que permaneci em celibato  nos próximos quatro anos depois. 

Embora ainda casado, eu descobri a Exodus, cujos sócios que pensavam como eu e a programação organizada me deu esperança. Por cinco anos, eu participei de reuniões semanais do grupo de apoio em um dos seus programas de afiliados através de uma igreja local. Assisti quatro conferências anuais da Exodus em vários locais em todo o país, e até mesmo vivi por um ano dentro de um programa ex-gay residencial conhecido como Love in Action. Jornal David Christie's 1996

Tudo isso exigia um estilo de vida drasticamente alterado. Eu tive que mudar. Eu tive que mudar igrejas. Eu tive que mudar de amigos. Eu deixei para trás uma promissora carreira de pós-graduação na faculdade e assumi um emprego de escritório, a fim de minimizar os conflitos com a minha agenda incessante de terapia, grupos de apoio e eventos relacionados. Esperando realmente me purificar da homossexualidade, eu joguei fora antigas cartas e fotografias, livros e música, coisas que eu amava, mas que eu tinha vindo a acreditar foram as influências negativas. 

Ao longo de tudo isso, eu sempre lutei contra sentimentos de inutilidade, auto-ódio e culpa. A doutrina do amor incondicional de Deus era inútil para reparar os danos causados pela doutrina do pecado homossexual. Isso levou a uma depressão crônica para a qual eu tive que tomar remédios caros na minha adolescência, até que finalmente sai do armário aos 28 anos. Em algumas ocasiões, em pânico e desespero, eu pensei seriamente em suicídio. Imagem do Enterro Girodet de Atala

Certa vez, quando eu estava no Love in Action, o programa residencial ex-gay, eu fiquei apaixonado mutuamente por outro cliente. Naturalmente, esse desenvolvimento entraram em choque com os ensinamentos do programa, cultivando ainda mais profundo desgosto comigo mesmo. Para adicionar insulto a injúria, mais tarde fui agredido por um membro da equipe que perdeu o controle de seu temperamento. Embora ele pediu desculpas a organização, o dano físico, mental e emocional foi feito. Esta, aliás, foi um resultado direto do Love in Action, falta de requisitos mínimos em educação e formação por parte dos seus funcionários. Como muitas dessas organizações, que operam fora das normas de conduta terapêutica padrão.

David e Doug em SFTem sido dito que "viver bem é a melhor vingança", e desde que sai, há nove anos, esta tem sido a minha estratégia. Desde aquela época, me mudei para Nova York e voltei para a faculdade, tenho novos amigos e me reconciliei com alguns que eu tinha perdido, eu tenho um parceiro maravilhoso de sete anos. Para minha grande satisfação continuei amigos, da minha ex-esposa, que está feliz, se casou recentemente e se tornou mãe. Eu já não tenho necessidade de anti-depressivos. Eu agora dou valor, respeito e confio em mim de uma forma que é comum a maioria das pessoas,  exatamente com um ex-gay é ensinado a não ser. Estou em paz comigo mesmo de uma forma que nunca poderia ser como um ex-gay. 

Doug e David em MemphisMas eu estou cheio de cicatrizes, e cada dia eu sinto o peso do arrependimento e pesar. Eu me compadeço de meus próprios anos de angústia, mas também para a confusão e a dor que causei a minha esposa, minha família e meus amigos. E com certeza, eu gastei muito dinheiro nesse processo, mas o que eu quero de volta mais do que qualquer coisa é o tempo e energia eu coloquei nisso. Na faculdade, meus colegas são uma década mais jovem que eu, e dificilmente passa um dia que eu não pergunte: onde eu estaria agora se não tivesse  entrado numa terapia ex-gay? Onde eu estaria profissionalmente? Quanto mais estáveis financeiramente eu seria? Quanto mais confiante? Quanto mais perto da auto-realização? Sei que essas questões poderiam envenenar o meu progresso, mas mesmo assim, elas surgem naturalmente, e eu tenho que lutar com elas o tempo todo. Eu mesmo dou crédito a minha experiência de ex-gays, contribuiu para a auto-reflexão que me levou para onde eu estou hoje, mas eu afirmo que ninguém deveria ter que passar pelo inferno para chegar a tal lugar. 




sábado, 19 de fevereiro de 2011

Dica Musical: Muito Perigoso, Preta Gil.

Essa é uma das músicas que me identifico muito, ou melhor me identificava...
O refrão expressa exatamente o que muitos GGs sentem ao se apaixonarem e se verem obrigados a se manter "longe do pecado". Se vc já passou por uma situação similar também irá se identificar.
E pra quem como eu, curte o bloco da preta não pode perder o desfile do bloco. Domingo dia 27/02 as 16hrs concentração na Praça General Osório em Ipanema no Rio de Janeiro.




Ficar perto de você
Pode ser muito perigoso
Se isso acontecer de novo
Não sei se vou resistir
Ficar longe de você
É ficar longe do pecado
Mesmo querendo o contrário
Acho melhor te esquecer
Ficar perto de você
Pode ser muito perigoso
Se isso acontecer de novo
Não sei se vou resistir
Ficar longe de você
É ficar longe do pecado
Mesmo querendo o contrário
Acho melhor te esquecer
Amanhã, depois
Posso até sofrer
Se você se for não sei o que pode acontecer
Se seu coração já tem outro alguém
Por que me olha assim
Isso não faz bem nem pra você e nem pra mim?
Pode ser fatal
Pode ser que não
Pode ser amor
A beira de uma explosão
Pode ser fatal
Pode ser que não
Pode ser amor
A beira de uma explosão
Ficar perto de você
Pode ser muito perigoso
Se isso acontecer de novo
Não sei se vou resistir
Ficar longe de você
É ficar longe do pecado
Mesmo querendo o contrário
Acho melhor te esquecer
Ficar perto de você
Pode ser muito perigoso
Se isso acontecer de novo
Não sei se vou resistir
Ficar longe de você
É ficar longe do pecado
Mesmo querendo o contrário
Acho melhor te esquecer
Amanhã, depois
Posso até sofrer
Se você se for não sei o que pode acontecer
Se seu coração já tem outro alguém
Por que me olha assim
Isso não faz bem nem pra você e nem pra mim?
Pode ser fatal
Pode ser que não
Pode ser amor
A beira de uma explosão
Pode ser fatal
Pode ser que não
Pode ser amor
A beira de uma explosão
Pode ser fatal
Pode ser que não
Pode ser amor
A beira de uma explosão
Pode ser fatal
Pode ser que não
Pode ser amor
A beira de uma explosão
Ficar perto de você
Pode ser muito perigoso
Se isso acontecer de novo
Não sei se vou resistir

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Diva Gospel do Mês: Ana Paula Valadão


Aproveitando que este mês a pastora Ana Paula Valadão fez uma declaração sobre os homossexuais e a admiração que estes têm por seu trabalho e foi quem disparou na frente na nossa enquete sobre quem é a sua diva gospel com 48% dos votos. Portanto é com ela que vamos abrir essa nova coluna do nosso blog.

Ana Paula Machado Valadão Bessa (Belo Horizonte, 16 de maio de 1976) é uma cantora e compositora de música gospel. Também é pastora, escritora e apresentadora de televisão brasileira. É líder do grupo Diante do Trono, um dos maiores ministérios de louvor do mundo. Compôs várias músicas, entre as quais se destacam Preciso de Ti, Águas Purificadoras,Tempo de Festa, Manancial , Nos Braços do Pai e Aleluia.


Filha do pastor Márcio Roberto Vieira Valadão, pastor da Igreja Batista da Lagoinha e de Renata Valadão. Ana Paula é irmã mais velha de André Valadão e Mariana Valadão. Ana Paula começou na música participando de um grupo intitulado King's Kids (Crianças do Rei), da missão Jocum - Jovens com uma Missão. Sua primeira participação em um álbum foi no "Expressão de Amor", gravado para o King's Kids. Algum tempo depois, participou do coral El-Shammah, com o qual gravou o álbum Ele tem sido Fiel.

Ana Paula cursou Direito na UFMG, mas trancou o curso em 1996, pois decidira ingressar no Christ for the Nations, uma escola nos Estados Unidos que visa formar líderes de louvor. Quando retornou ao Brasil, começou a escrever músicas, inicialmente versões de cantores que conheceu nos Estados Unidos, como Dennis Jernigan. Em 1998 foi gravado o primeiro álbum intitulado "Diante do Trono" dando início ao Ministério de Louvor Diante do Trono.
Ana Paula é casada com o pastor Gustavo Bessa e possui dois filhos, Isaque e Benjamin.

Discografia completa da APV você encontra aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Paula_Valadão

Videos: http://www.youtube.com/user/Alcibiades232

Site Oficial: http://www.diantedotrono.com.br/

Twitter da Ana: http://twitter.com/anapaulavaladao

Sobre as declarações da APV não era de se esperar um discurso de aceitação por parte dela, mas pelo menos suas declarações não foram tão homofóbicas quanto as de pastores como o Silas Malafaia, e talvez por isso ela é tão amada por nós homossexuais.

Vou reproduzir abaixo parte do post que o Alexandre Feitosa colocou em seu blog sobre as declarações de APV:

"As respostas da cantora apenas evidenciam o quanto desconhece o assunto e o quanto a presença de homossexuais na igreja não dá mais pra ser simplesmente ignorada. As palavras de Ana Paula, ao citar 1 Coríntios, revelam o mesmo discurso, antiquado e descontextualizado de sempre, como se o apóstolo Paulo conhecesse sobre orientação sexual e tivesse vivido a realidade de tantos casais homoafetivos de hoje, estáveis, felizes e cristãos.

Um dos piores momentos do vídeo é quando o entrevistador denomina a presença cada vez mais evidente de gays na igreja (incluindo membros e pastores) de um “mau que assola a humanidade”, como se houvesse mais homossexuais hoje que no passado. A diferença não percebida pelo apresentador é o fato de que a visibilidade de gays é maior hoje que no passado. Entretanto, há pontos positivos na entrevista: o reconhecimento de que há despreparo por parte da Igreja em acolher adequadamente pessoas com orientação homossexual

Acabou-se o tempo em que Igreja e Homossexualidade eram tratadas a distância. O Brasil vive um verdadeiro boom de igrejas inclusivas, aquelas que tratam com naturalidade e homossexualidade e recebem de braços abertos pessoas com essa orientação. Estive semana passada em SP, visitando duas novas igrejas inclusivas e palestrando sobre Bíblia e Homossexualidade. É incrível como tais grupos têm crescido. E detalhe: 90% dos membros são oriundos de igrejas evangélicas como a Assembleia de Deus.
Ana Paula ressalta como características naturais o quanto tais pessoas são talentosas e sensíveis, entretanto, no quesito sexualidade, foram alvo de algum tipo de interferência que as desvirtuaram em dado momento.

Ao citar o testemunho de Dennis Jernigan - em que fica evidente as causas de seu comportamento homossexual – demonstra mais uma vez desconhecer o assunto, pois generaliza as causas da homossexualidade, confundindo-a com comportamento homossexual construído e passível de mudança.

A argumentação parece até bonita quando, tanto Ana Paula quanto o entrevistador apelam para a necessidade que a Igreja tem do talento inegável de muitos homossexuais, esquecendo-se de que tais dons são tão naturais quanto a sexualidade.

O discurso de Ana Paula não é novo, é o mesmo de pastores intolerantes como Silas Malafaia. A diferença é que Ana Paula é doce, e Silas é rude.

É inegável: há homossexuais na igreja, são notórios e, normalmente destacam-se nos ministério de dança, de louvor, de teatro... É inquestionável que muitos possuem tais aptidões artísticas, fruto de sua constituição especial, dada por Deus, assim como sua afetividade, tão combatida como pecaminosa e antinatural. É estranho um discurso que abre a porta ao talento de muitos homossexuais e fecha a mesma porta para sua realização afetiva, tão necessária a qualquer ser humano. É assim que dizem amar os homossexuais: dando-lhes certos direitos e negando-lhes outros.

É hora de a Igreja rever seus conceitos sobre a homossexualidade; de se colocar no lugar dessas pessoas que sofrem desde a infância em todos os setores de sua vida; de rever o que a Bíblia diz realmente sobre a questão; de ponderar sobre as razões pelas quais a grande maioria dos gays cristãos não consegue mudar sua orientação sexual.

Enquanto isso não acontece, muitos se perdem pelo caminho, por acreditar que a condenação os espera impiedosamente...

Deus não quer que ninguém se perca; a Igreja deveria sentir da mesma maneira.
"

Alexandre Feitosa (é brasiliense, 33 anos. Bacharel e Licenciado em Língua Portuguesa pela UnB, Pós-graduado em Língua Portuguesa pela Universo. Atualmente cursando Especialização em Teologia Histórica. Há cerca de 7 anos dedica-se ao estudo da Teologia Inclusiva. Membro ativo da Comunidade Família Cristã Athos. Autor do livro "Bíblia e Homossexualidade: verdade e e mitos", pela Metanoia Editora. Já iniciou mais dois projetos relacionados à Teologia Inclusiva a serem publicados e lançados em breve. Para contatos, escrevam para: alexfeittosa@ig.com.br ou alexfeittosa@hotmail.com )

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mitos Religiosos Sobre a Sexualidade: O Mito Macho e Fêmea.

Hoje vou começar uma nova série aqui no blog, onde vou comentar alguns tabus e mitos propagados pelos religiosos sobre a homossexualidade.


O Terceiro Sexo!

Esse é um dos primeiros argumentos usados pelos religiosos para combater a homosexualidade.
Uma das coisas que mais me irrita é quando começam com os famosos clichês: Deus criou macho e fêmea, Adão e Eva e não Adão e Ivo. Deus não criou um terceiro sexo. Só existem os cromossomos XX e XY.
O erro já começa em tentar afirmar que os cromossomos que definem o gênero seriam os mesmo que definem a orientação sexual, não é bem por ai. Uma vez que pesquisas já mostraram que a orientação sexual é definida por múltiplos genes e não por um único.

É preciso fazer uma distinção entre Orientação Sexual e Identidade de Gênero. O primeiro erro que todo religioso comete quando usam esse argumento é tentar generalizar todo homo/bissexual como sendo pessoas com tendências afeminadas ou a transexualidade.
Não tenho número estatísticos para afirmar porcentagens, mais acredito que a grande maioria dos homo/bissexuais são homens ou mulheres que estão muito felizes e satisfeitos com suas identidades de genero.
Homens que estão felizes em serem e terem uma postura masculina e que em nenhum momento de suas vidas pensaram ser mulheres ou se sentiram mulheres em corpos masculinos. A única diferença é que são homens que amam outros homens ou mulheres que amam outra mulheres.
Acredito que esse erro acontece porque de fato os homossexuais que são assumidos na sua maioria são os afeminados ou transgêneros ou as mulheres masculinizadas, ou seja, o esterótipo gay é formado por pessoas com essas características e os mais discretos, principalmente os bissexuais, muitas vezes se mantém no armário por toda a vida.

Não quero levantar polêmica, mas nem sempre identidade de genero está ligado a orientação sexual do individuo. O que falar por exemplo dos cross dressers?

Cross-dressing é um termo que se refere a pessoas que vestem roupa ou usam objetos associados ao sexo oposto, por qualquer uma de muitas razões, desde vivenciar uma faceta feminina (para os homens), masculina (para as mulheres), motivos profissionais, para obter gratificação sexual, ou outras. O crossdressing (ou travestismo, no Português Europeu, e frequentemente abreviado para "CD"), não está relacionado com a orientação sexual, e um crossdresser pode ser heterossexual, homossexual, bissexual ou assexual. O crossdressing também não está relacionado com a transexualidade. (Fonte: Wikepedia)

"Tudo que posso dizer é que ele é um grande, grande cara que às vezes gosta de mexer com a roupa das mulheres." (Jenny McCarthy ao explicar a aparição em público de seu então namorado Jim Carey em uma praia, em 2008 vestindo seu maiô.)
Heteros travestidos com roupas do sexo oposto no carnaval.
Geralmente no Brasil o termo "CD" é usado para designar heterossexuais que tem fetiche por transarem com suas parceiras travestidos totalmente ou com algum item do vestiário femenino.
Uma das coisas que sempre me intrigaram é ver no carnaval vários heterossexuais se divertindo nos famosos "blocos das piranhas" vestidos com roupas do sexo oposto. Eu particularmente nunca entendi o porque de homens que mantêm durante todo o ano uma postura hetero, soltarem tanto a franga no carnaval e eu que sou gay nunca passaria por tamanho papelão ainda que por brincadeira.

Para terminar, ontem saiu uma reportagem no jornal britânico Daily Mail, sobre um transexual, que quando era homem se casou por 3 vezes com mulheres e mesmo após a mudança de sexo (mudou de homem para mulher) se manteve hetero, ou foi ai que virou lésbica (fiquei confuso, rs) e casou-se pela quarta vez com uma mulher. Só pra ilustrar que orientação de gênero não esta necessariamente ligado a orientação sexual.
Clique na Imagem para ampliar.

Versão Do G1:
Um casamento no Reino Unido reuniu Kerry Whybrow, de 66 anos - um ex-bombeiro que decidiu passar por uma operação para virar mulher -, e Alicia Evans, uma lésbica jamaicana 30 anos mais jovem.
O casal se conheceu em um site relacionamentos internacional. A união civil aconteceu na cidade de Norfolk. Este é o quarto casamento de Kerry, mas o primeiro desde que se tornou mulher, há 3 anos. Nos três anteriores, a recém-casada ainda se chamava Roger Steed.
Abandonada por amigos desde a decisão de mudar de sexo, Kerry contou com o apoio da terceira esposa, Cindy Steed, que compareceu à cerimônia.
A única filha de Whybrow a renegou em 2005, quando o anúncio da mudança de sexo foi feito. Já Alicia tem um filho de 5 anos morando na Jamaica com os avós, que não sabem que a filha é lésbica.
Um hotel local de Norfolk serviu como local para a lua-de-mel, já que o casal não tem dinheiro para viajar. Segundo os recém-casados, viver na Jamaica está fora de questão, pois a homofobia local ainda assusta. As informações são do site do jornal britânico "Daily Mail".

PORTANTO SENHORES RELIGIOSOS NEM TODO GAY QUER TER UM TERCEIRO SEXO OU DESEJA TER O MESMO SEXO DO SEXO OPOSTO. SOU HOMEM, GOSTO DE SER HOMEM E NUNCA NA VIDA PENSEI EM TER OUTRO GÊNERO, EM SER UMA MULHER OU ME SENTIR UMA MULHER NO CORPO DE UM HOMEM. SE EXISTE UM DEUS QUE ME FEZ, ESSE DEUS ME FEZ MACHO E MACHO O SOU, MESMO GOSTANDO DE OUTRO MACHO.
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